Alexsander perde dois jogos após ofensas a Kaio Jorge na sala antidoping
A suspensão do volante do Atlético-MG surge após um bate‑boca que marcou o clássico contra o Cruzeiro e pode afetar a campanha na Copa do Brasil.

Alexsander, volante do Atlético-MG, recebeu suspensão de dois jogos da 4ª Comissão Disciplinar do STJD nesta quinta‑feira, 10 de setembro de 2026, por ofensas proferidas a Kaio Jorge na sala antidoping da Arena MRV. A decisão chega logo após a vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, que garantiu ao Galo a classificação às semifinais da Copa do Brasil. O castigo pode comprometer a disponibilidade de um dos principais articuladores do meio‑campo nas próximas partidas decisivas.
O clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro, disputado na última quarta‑feira, foi marcado por tensão fora de campo além da rivalidade histórica que ultrapassa quatro décadas. O triunfo alvinegro não só manteve viva a esperança de um título nacional, como também intensificou a rivalidade entre jogadores, culminando no incidente em que Alexsander abordou Kaio Jorge com as palavras “O pai tá aqui, ô bundão. Otário, fodido”. O vídeo, gravado por Kaio e divulgado nas redes sociais, ampliou a repercussão do episódio.
Na defesa, o Atlético alegou que Kaio Jorge já estaria envolvido em “várias polêmicas” com atletas do clube e que o volante reagiu a uma provocação anterior ao gol marcado pelo atacante cruzeirense, citando a frase “seu pai está aqui”. O clube informou que seu departamento jurídico pretende recorrer da decisão, argumentando que a ofensa foi uma resposta a um insulto pré‑existente e que a penalidade pode ser desproporcional ao ato.
A mesma sessão do STJD julgou outros casos relacionados ao clássico: o Atlético foi absolvido por arremessos de objetos no gramado, mas multado em R$ 10 mil pelo desaparecimento de bolas ao final da partida; o Cruzeiro foi condenado a pagar R$ 10 mil por depredação da Arena MRV, acrescidos de R$ 31 mil de indenização calculada pelo Galo; o zagueiro Villalba teve a denúncia arquivada, e o presidente Sérgio Coelho recebeu advertência por ofensas à arbitragem. Essas decisões mostram a amplitude das sanções disciplinares aplicadas ao confronto.
Do ponto de vista tático, a ausência de Alexsander nas duas próximas rodadas elimina uma opção de transição rápida que o técnico Cuca costuma explorar contra equipes de pressão alta. O Galo ainda conta com o volante Luan e o jovem Zé Rafael, mas a rotação exigirá ajustes na marcação e na distribuição de passes, sobretudo nos jogos da Sul‑Americana, onde o meio‑campo tem sido decisivo. A suspensão também reduz a margem de manobra do elenco diante de um calendário apertado, que inclui a semifinal da Copa do Brasil em Brasília.
O caso evidencia o clima de hostilidade que acompanha o clássico Mineiro, reforçando a necessidade de protocolos mais rígidos nas áreas de controle antidoping e nos bastidores dos estádios. Além do impacto esportivo, a imagem do Atlético-MG pode sofrer desgaste diante de patrocinadores e da própria torcida, que esperam condutas exemplares em momentos de alta visibilidade. A multa de R$ 10 mil ao Cruzeiro e a advertência ao presidente do Galo sinalizam que a justiça desportiva está atenta a comportamentos que extrapolam o campo de jogo.
Nos próximos dias, o Atlético‑MG deve apresentar recurso contra a suspensão de Alexsander, enquanto se prepara para a semifinal da Copa do Brasil, marcada para novembro em Brasília contra o vencedor do duelo entre Grêmio e Palmeiras. A atenção da torcida estará voltada para a capacidade do técnico em contornar a falta do volante e manter o ritmo de jogo que o levou à fase decisiva. O desfecho do recurso e a performance do time nas próximas partidas definirão se o incidente se tornará apenas mais um capítulo da rivalidade ou um ponto de inflexão na campanha alvinegra.
Fonte: ge.globo
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