Árbitro denuncia pressão de Montenegro e teme interferência na arbitragem
Referee Davi de Oliveira Lacerda registrou cobrança do presidente do Fluminense durante o intervalo contra o Vasco, levantando suspeitas de intimidação.

O árbitro Davi de Oliveira Lacerda registrou em sua súmula que Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense, o confrontou no intervalo da partida contra o Vasco, afirmando que ele "não tem coragem" e que "está com medo". A denúncia, divulgada pela imprensa, coloca em foco a conduta de dirigentes que tentam influenciar a arbitragem e pode gerar consequências disciplinares para a gestão tricolor.
O episódio ocorre num momento de alta performance para o Fluminense. Sob o comando de Marcão, a equipe está invicta nas primeiras cinco partidas do campeonato, com três vitórias e dois empates, e chegou a lançar um patch colecionável para a campanha da Libertadores, que tem o clube nas quartas de final contra o Platense. A pressão por resultados vem acompanhada de um clima de tensão nas arquibancadas e nas áreas técnicas.
Segundo o relatório de Lacerda, Montenegro abordou o árbitro próximo à linha de bandeira, questionando sua postura e insinuando que a arbitragem poderia ser mais "corajosa". A frase exata – "Não tem coragem. Está com medo" – foi transcrita na súmula e já circula nas redes sociais. O clube, que recentemente criticou a atuação de Canobbio e alegou pênalti não marcado em Serna, parece adotar uma postura de contestação frequente aos oficiais.
Do ponto de vista disciplinar, a CBF tem mecanismos para punir interferência externa, que podem incluir multa ao clube, suspensão do presidente de funções relacionadas ao futebol e até a anulação de resultados caso haja comprovação de tentativa de manipulação. Uma sanção ao presidente poderia afetar a imagem institucional do Fluminense, além de gerar distração para a equipe que se prepara para o duelo decisivo contra o Platense.
O caso reflete um padrão de confrontos entre dirigentes e árbitros no futebol brasileiro, onde episódios recentes – como a peitada a Canobbio e a troca de farpas entre Botafogo e Flamengo – têm alimentado a percepção de que a arbitragem está sob constante pressão. Essa atmosfera pode minar a confiança dos árbitros e, por extensão, a credibilidade das competições, prejudicando torcedores e patrocinadores que buscam transparência.
A CBF ainda não se pronunciou oficialmente, mas deve analisar a súmula de Lacerda e convocar Montenegro para prestar esclarecimentos. Enquanto isso, o Fluminense tem a partida contra o Platense marcada para a próxima terça-feira, e o clube precisará equilibrar a defesa de sua imagem institucional com a concentração necessária para avançar na Libertadores. O que observará nos próximos dias são as declarações da federação, possíveis multas e a postura do presidente nas próximas entrevistas.
Fonte: ge.globo
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