Argentina encara nova era sem Messi e busca identidade pós‑Copa
A aposentadoria do craque abre espaço para redefinir liderança, tática e futuro da Albiceleste.

Lionel Messi comunicou, nesta segunda‑feira, sua aposentadoria da seleção argentina, encerrando duas décadas de protagonismo que culminaram em 125 gols em 207 partidas, inclusive 21 nas Copas do Mundo. A decisão chega logo após a derrota por 1 a 0 para a Espanha na final da Copa do Mundo 2026, deixando a Albiceleste sem a principal referência ofensiva e simbólica. O vácuo criado pelo craque coloca em xeque a identidade da equipe ao iniciar a fase de reconstrução para o próximo ciclo mundial.
Além da marca de 125 gols, Messi coleciona uma Copa do Mundo (2022), duas Copa América (2021, 2024), a Finalíssima de 2022, ouro olímpico (2008) e a Copa do Mundo Sub‑20 (2005), consolidando‑se como o jogador mais laureado da história argentina. Desde 2011, ele vestia a braçadeira de capitão, assumida após a escolha de Alejandro Sabella, e liderou a equipe até o vice‑campeonato em 2026. O técnico Lionel Scaloni, cujo contrato vai até dezembro de 2026, também enfrenta um dilema, pois sua continuidade está atrelada ao desempenho pós‑Messi.
Na carta dirigida à Albiceleste, Messi escreveu que a decisão foi tomada dois dias após a final contra a Espanha, em 19 de julho, e que “é uma decisão dolorosa, mas chegou o momento”. Ele reforçou que continuará como torcedor e apoiador da seleção, enfatizando o desejo de “proporcionar alegrias” aos argentinos. O comunicado, divulgado pela Redação do ge Buenos Aires, trouxe também a contagem de 21 gols em Copas, reforçando o peso histórico que se perde.
Scaloni, em coletiva ao jornal "Olé", admitiu que “dói na alma” e que pretende “relaxar e descansar um pouco” após dezembro, indicando a possibilidade de não renovar o vínculo. O presidente da AFA, Claudio Tapia, garantiu apoio total ao treinador, descrevendo‑o como “Plano A, Plano B e Plano C” e afirmando que a decisão será respeitada. Essa postura institucional demonstra que a AFA busca estabilidade, mas também abre espaço para possíveis mudanças na comissão técnica.
Com a saída de Messi, a braçadeira de capitão recai sobre Nicolás Otamendi nas ausências do ídolo, como ocorreu contra a Jordânia nas eliminatórias da Copa 2026. Otamendi, 38 anos, traz experiência defensiva, mas carece da influência de campo que Messi exercia. Rodrigo De Paul, considerado um dos líderes internos, já usou a braçadeira nas eliminatórias de 2025, oferecendo uma alternativa mais ofensiva e de maior contato com o meio‑campo.
A disputa pela camisa 10 será decisiva. Thiago Almada, do River Plate, já vestiu a numeração nas eliminatórias de setembro passado e é apontado como sucessor natural, embora tenha sofrido lesão recentemente. Nico Paz, de 21 anos, formado nas categorias de base do Real Madrid e atualmente no Como, também aparece como candidato, tendo atuado contra Argélia e Jordânia na Copa 2026. Outros nomes como Alexis Mac Allister (Liverpool) e Enzo Fernández (Chelsea) são mencionados, mas a AFA ainda avalia a possibilidade de aposentar o número histórico, conforme sugestão de Tapia em 2024.
A ausência de Messi implica reconfigurar o esquema ofensivo: a Albiceleste precisará de um novo ponto de referência criativo e de liderança dentro de campo, ao mesmo tempo em que mantém a solidez defensiva que a levou ao vice‑campeonato. Os próximos amistosos contra o Paraguai e o Chile, marcados para outubro, serão o primeiro teste para o novo 10 e para a nova hierarquia de capitães. Observadores deverão acompanhar a integração de Almada ou Paz, a definição de Scaloni sobre seu futuro e a resposta da torcida diante de um projeto sem o astro que definiu uma geração.
Fonte: ge.globo
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