Arteta pressiona Premier League por aumento de relacionados
O técnico do Arsenal argumenta que o limite de 20 jogadores compromete bem‑estar e competitividade.

Mikel Arteta, treinador do Arsenal, exigiu publicamente que a Premier League eleve o limite de 20 atletas relacionados por partida, alegando que a regra atual prejudica o bem‑estar dos jogadores e a competitividade da equipe. A declaração foi feita em entrevista ao portal ge em 31 de agosto de 2026, logo na abertura da nova temporada. Arteta enfatizou que “todo elenco precisa de mais de 20 que jogam na linha para suportar o nível de exigência dos jogos que temos”.
A regra inglesa permite que cada clube nomeie 20 jogadores para o confronto, dos quais pelo menos três devem ser formados localmente, enquanto o registro anual aceita até 25 atletas acima de 21 anos e exige oito formados na Inglaterra. Com o calendário de 2026‑27 – que inclui a Premier League, Champions League, FA Cup e Carabao Cup – o Arsenal já enfrenta uma média de dois jogos por semana, o que eleva o risco de fadiga e lesões. Até o momento, o clube já disputou cinco partidas da liga e ocupa posição de destaque na tabela, reforçando a necessidade de rotação constante.
Segundo Arteta, o limite deixa cinco jogadores do grupo principal fora da relação a cada partida, gerando frustração e potencial desvalorização no mercado. “Precisar dizer a alguém: ‘Você nem faz parte deste jogo’ é muito difícil. Não ajuda o clube e não ajuda na valorização do atleta”, afirmou o técnico. Ele ainda destacou que a exclusão pode afastar o atleta do grupo, afetando seu desenvolvimento e sua motivação para treinar em alto nível.
A comparação com as principais ligas europeias evidencia a disparidade: na LaLiga espanhola, cada equipe pode relacionar até 23 jogadores, enquanto a Serie A italiana permite 25. Esses números dão aos treinadores maior margem para alternar titulares e reservas, reduzindo a carga física e permitindo a inclusão de jovens promissores em partidas decisivas. Arteta sugeriu que a Premier League poderia adotar um modelo semelhante sem comprometer a identidade do futebol inglês.
Do ponto de vista tático, a ampliação do limite permitiria ao Arsenal variar formações sem sacrificar a qualidade de cada posição, sobretudo em confrontos de alta intensidade na Champions League. A rotação mais ampla também reduz a incidência de lesões musculares, um problema recorrente nas equipes que jogam mais de 50 partidas por temporada. Financeiramente, embora o aumento de jogadores relacionados não altere o teto salarial da liga, ele pode melhorar a valorização de ativos ao dar visibilidade a atletas que, de outra forma, permaneceriam no banco.
A Premier League ainda não se pronunciou oficialmente, mas a proposta de Arteta chega em um momento de debate sobre a carga de jogos e a saúde mental dos atletas, temas que ganharam força nos últimos anos. Representantes de clubes como Liverpool e Chelsea já manifestaram preocupações semelhantes, o que pode pressionar a diretoria a abrir um canal de negociação antes da reunião de clubes prevista para setembro. Uma decisão favorável poderia ser anunciada ainda no primeiro trimestre da temporada.
Nos próximos dias, o Arsenal encara o Manchester United na 6ª rodada da Premier League, partida que servirá de teste para a política de rotação de Arteta. Observadores deverão analisar se o treinador opta por incluir mais jogadores na lista de relacionados, mesmo que não cheguem a entrar em campo, e como isso influencia a dinâmica do vestiário. Enquanto isso, a discussão sobre o limite de jogadores permanece no centro das negociações entre clubes e a liga.
Fonte: ge.globo
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