Bellingham Recupera Protagonismo
Mudança de função no Real Madrid e volta à forma decisiva na Copa do Mundo

Jude Bellingham voltou a ser decisivo justamente quando a Inglaterra mais precisava. Após uma temporada conturbada pelo Real Madrid, o camisa 10 marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, pelas quartas de final, e garantiu a classificação inglesa para a semifinal da Copa do Mundo.
A atuação reforça uma mudança de roteiro. Depois de um período de menor brilho ofensivo pelo Real Madrid, Bellingham reencontrou na Copa a versão que encantou o futebol europeu logo em seu primeiro ano na Espanha. E a explicação passa justamente pela mudança de função vivida no clube espanhol.
Na primeira temporada pelo Real, em 2023/24, Bellingham atuava quase como um segundo atacante e em determinados momentos até como um 'falso 9'. Partia do meio-campo, mas tinha liberdade para atacar constantemente os espaços na área, aparecer entre os zagueiros e finalizar as jogadas.
A transformação começou na temporada seguinte e ganhou força com a chegada de Kylian Mbappé. A mudança de função fica evidente nos mapas de calor das três temporadas pelo Real Madrid. Eles mostram que o inglês foi sendo empurrado, ano após ano, para uma posição cada vez mais distante do gol.
Em entrevista concedida no início deste ano ao site do Real Madrid, o próprio Bellingham explicou que sua função mudou porque o time passou a contar com um atacante capaz de concentrar boa parte das finalizações da equipe. 'Na minha primeira temporada aqui, eu jogava muito perto da área. Mas, depois da chegada do Mbappé, já não é necessário que eu jogue tão adiantado. Nesta temporada estou jogando mais recuado, é uma função diferente, mas os gols nunca foram o mais importante para mim', disse.
A mudança vai muito além da quantidade de gols. Se antes o inglês era responsável por atacar os espaços deixados pelos atacantes, hoje ele participa muito mais da construção das jogadas. Passou a receber a bola ainda na saída de jogo, ajudar na circulação, acelerar transições, pressionar a perda da posse e dar equilíbrio ao meio-campo.
Na Inglaterra, porém, o cenário mudou. Livre das lesões e novamente com liberdade para atacar os espaços, o camisa 10 voltou a apresentar a intensidade que marcou sua primeira temporada pelo Real Madrid. Embora siga participando da construção das jogadas, Thomas Tuchel devolveu ao meia uma liberdade muito parecida com a que ele teve em sua primeira temporada na Espanha.
Bellingham voltou a atacar os espaços entre os zagueiros, pisa na área com muito mais frequência e aparece como elemento surpresa nas finalizações. É um meio-campista com liberdade para acelerar em direção ao gol, e não apenas para organizar o jogo. Foi assim que marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega e colocou a Inglaterra na semifinal.
Fonte: ge.globo
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