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Bola da "Mão de Deus" de Maradona rende R$ 17,2 milhões em leilão

Heritage Auctions vende o ícone de 1986 por US$ 3,35 milhões, muito abaixo das projeções.

Redação Voz do Gol2 min de leitura
Bola da "Mão de Deus" de Maradona rende R$ 17,2 milhões em leilão

A bola que protagonizou a "Mão de Deus" de Diego Maradona foi arrematada no último sábado por US$ 3,35 milhões (cerca de R$ 17,2 milhões) na Heritage Auctions, um valor que surpreende pela distância das projeções iniciais e reconfigura o patamar dos objetos de futebol em leilões globais.

O gol, marcado nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986 entre Argentina e Inglaterra, tornou‑se símbolo de rivalidade política e esportiva, ocorrendo poucos meses antes da Guerra das Malvinas. A partida, vencida pela Argentina por 2 a 1, ficou eternizada não só pelo controvérso toque de mão, mas também pelo segundo gol de Maradona, o "Gol do Século", consolidando o jogador como mito mundial.

A Heritage Auctions garantiu a autenticidade da esfera, descrita como "a bola mais famosa do mundo", e iniciou o leilão com lance de US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões). O preço final ficou bem abaixo dos US$ 9,2 milhões (R$ 47,8 milhões) esperados, valor que recorda a camisa usada por Maradona na mesma partida, vendida em 2022. A bola já havia passado por duas tentativas de venda: em novembro de 2022, o ex‑árbitro tunisino Ali Bin Nasser a negociou por cerca de £2 milhões (R$ 13,7 milhões) via Graham Budd Auctions, e em 2023 a Goldin Auctions não atingiu o preço de reserva ao abrir com US$ 2 milhões (R$ 10,2 milhões).

O descompasso entre a expectativa de US$ 9,2 milhões e o preço real reflete um mercado de memorabilia que, embora apaixonado, demonstra cautela diante de itens com carga política e controvérsia. Colecionadores institucionais tendem a valorar a camisa, que oferece um contato direto com o atleta, enquanto a bola, apesar de icônica, carrega a ambiguidade de um gol marcado por trapaça, reduzindo seu apelo entre investidores mais conservadores.

Além do aspecto financeiro, a venda evidencia o papel crescente das casas de leilão americanas na curadoria de objetos futebolísticos, deslocando o centro tradicional de negociações da Europa para os EUA. A presença de compradores asiáticos e latino‑americanos no leilão indica que a nostalgia da Copa de 86 ainda mobiliza um público global, mas que exige transparência documental e histórias bem construídas para justificar preços premium.

Com a bola agora em mãos de um comprador ainda não revelado, espera‑se que o artefato seja exibido em museus ou exposições itinerantes que celebrem a história das Copas. O próximo grande leilão de memorabilia será provavelmente o da camisa de Pelé ou de Lionel Messi, cuja performance na Copa do Mundo de 2022 reacendeu o interesse por peças históricas, oferecendo um termômetro para o futuro valor de objetos como a esfera de Maradona.

Fonte: ge.globo

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