Corinthians atrasa salários e vê futuro da Libertadores em risco
A diretoria não indica prazo para quitar os vencimentos de jogadores e comissão técnica, enquanto a equipe se prepara para enfrentar o Estudiantes.

O Corinthians não quitou, até a data de 9 de setembro de 2026, os salários referentes a agosto dos atletas e da comissão técnica, pagamento que deveria ter sido efetuado até o quinto dia útil de setembro. O atraso ocorre em meio à preparação da equipe para a partida de ida das quartas de final da Libertadores contra o Estudiantes, em La Plata. A ausência de um cronograma de regularização eleva a pressão sobre a diretoria e coloca em xeque a estabilidade do elenco na competição continental.
Financeiramente, o clube encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246,039 milhões e dívida total próxima a R$ 2,8 bilhões, números que já comprometem a capacidade de honrar compromissos. Além do débito, o Timão está impedido de contratar por 110 dias devido a um banimento de transferências e acumula três punições ativas – duas da FIFA e uma da CBF – que já limitam sua margem de manobra. Esses fatores explicam, em parte, a recorrência de atrasos nos pagamentos, que já se manifestaram em outros meses deste ano.
Conforme a reportagem do Voz do Setorista, apenas os funcionários contratados sob o regime CLT receberam os valores de agosto, enquanto jogadores, comissão técnica, direitos de imagem e premiações permanecem inadimplentes. A diretoria ainda não definiu um prazo para a quitação desses débitos, deixando o elenco sem garantias de recebimento. A situação se repete em relação a meses anteriores, quando salários registrados na CLT também foram pagos com dias de atraso, sinalizando um padrão de gestão financeira precária.
Do ponto de vista esportivo, o atraso pode minar a motivação do grupo que já treina em território argentino, longe da sua base em São Paulo. A partida contra o Estudiantes, marcada para as 21h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira, será a primeira prova de fogo de um elenco que tem enfrentado desfalques e incertezas. Historicamente, a falta de pagamento tem impactado o rendimento em jogos decisivos, como evidenciado por episódios anteriores na história recente do clube.
A combinação de déficit elevado, endividamento crônico e sanções internacionais cria um cenário de vulnerabilidade que pode se traduzir em custos adicionais, como multas por inadimplência e possíveis restrições da FIFA caso a situação se agrave. Além disso, a continuidade do banimento de contratações impede a renovação de talentos, forçando o Timão a depender de jogadores já em contrato, cujas cláusulas salariais podem ser renegociadas sob pressão. Esse ambiente pode desencadear uma espiral de perda de receita, já que desempenho abaixo do esperado na Libertadores afeta direitos de transmissão e patrocínios.
Para conter a crise, a diretoria deve convocar, ainda nesta semana, uma reunião extraordinária do Conselho de Administração, onde se espera a apresentação de um plano de pagamento parcelado ou a busca de linhas de crédito emergenciais. A pressão da torcida, que tem se mobilizado nas redes sociais exigindo transparência, pode influenciar a tomada de decisão e acelerar a definição de um cronograma. Enquanto isso, a comunicação oficial do clube permanece silenciosa quanto a datas concretas, alimentando especulações sobre a gravidade da situação.
O próximo passo imediato do Corinthians será a partida contra o Estudiantes, cujo resultado pode definir não apenas a continuação na Libertadores, mas também a confiança dos jogadores em permanecer no clube. Observadores deverão analisar a postura dos atletas em campo, a eventual falta de energia ou comprometimento e a reação da comissão técnica ao lidar com a crise financeira. Caso o Timão consiga avançar, a expectativa será de que a diretoria apresente, em curto prazo, um plano de regularização que evite novos atrasos e restabeleça a credibilidade perante jogadores, agentes e torcedores.
Fonte: ge.globo
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