Corinthians bloqueia 300 ingressos de cambistas e impede torcedores no clássico
Fraude em 2,2 mil entradas leva clube a reforçar segurança e a perder receita de R$ 3,28 milhões

No domingo, 2 de setembro de 2026, o Corinthians impediu a entrada de cerca de 300 torcedores no clássico contra o Santos após identificar fraudes em 2.200 ingressos, medida que expõe a vulnerabilidade do sistema de venda e coloca em foco a segurança nos estádios.
A Neo Química Arena registrou 47.099 torcedores pagantes, o que significa que quase 5% do público tinha ingressos suspeitos. O clube utilizou o algoritmo antifraude do Fiel Torcedor, que cruza cadastros, CPF e biometria facial, para sinalizar as irregularidades, um procedimento já testado na partida contra o Rosario Central pela Libertadores.
Para evitar tumultos nos portões, a direção optou por bloquear apenas 300 bilhetes, enquanto acionou reforço da Polícia Militar e aumentou o número de funcionários na entrada. Os portadores de ingressos bloqueados foram convidados a apresentar documento de identidade e, na maioria das vezes, admitiram ter comprado de terceiros, sem direito a reembolso, deixando o valor de R$ 3.284.703,18 no borderô do clássico.
Financeiramente, a ação ocorre em meio a um déficit que já alcançou R$ 246 milhões em 2026, pressionando a diretoria a proteger cada centavo de receita. A perda de 300 ingressos representa cerca de 0,6% da arrecadação prevista, mas a medida pode preservar a imagem do clube perante a torcida e evitar multas por falhas de segurança.
Do ponto de vista operacional, a experiência reforça a necessidade de aprimorar o cadastro facial, que já conta com 1,332 milhão de usuários, e de revisar os protocolos de controle de acesso. A presença de cambistas pode comprometer a atmosfera da partida, já que torcedores legítimos são barrados e o clima no estádio pode se tornar tenso.
O caso evidencia um problema estrutural no mercado de revenda de ingressos no futebol brasileiro, onde cambistas encontram brechas para driblar sistemas avançados. Outros clubes da Série A, como Palmeiras e Flamengo, já relataram episódios semelhantes, indicando que a solução exigirá ação conjunta da CBF, dos estádios e das autoridades de segurança pública.
Corinthians tem agora a missão de aplicar as lições aprendidas antes da próxima rodada do Brasileirão, quando enfrentará o Palmeiras em 7 de setembro, na mesma arena. Os torcedores deverão observar se o clube amplia ainda mais a equipe de controle e se os novos protocolos reduzem efetivamente a incidência de ingressos irregulares.
Fonte: ge.globo
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