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Corinthians recusa entrega de documentos ao perito que aponta cobrança indevida da Caixa

Diretor de Negócios Jurídicos nega acesso a extratos da Neo Química Arena enquanto perito busca refazer cálculos da dívida.

Redação Voz do Gol2 min de leitura
Corinthians recusa entrega de documentos ao perito que aponta cobrança indevida da Caixa

O diretor de Negócios Jurídicos do Corinthians, Pedro Soares, garantiu à Gazeta Esportiva que o clube não enviará ao perito Anísio Costa Castelo Branco os documentos confidenciais referentes ao financiamento da Neo Química Arena, mesmo após a alegação de cobrança indevida por parte da Caixa Econômica Federal.

A Neo Química Arena, concluída em 2021, foi viabilizada em grande parte por um empréstimo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão concedido pela Caixa, cujo pagamento tem sido ponto de atenção nas finanças corintianas, já pressionadas por déficits operacionais e necessidade de amortizar a dívida em curto prazo.

Na quarta‑feira passada, Anísio compareceu ao Parque São Jorge, encontrou a diretoria e recebeu a promessa de que documentos como extratos bancários e comprovantes de pagamento seriam encaminhados para que ele pudesse refazer os cálculos e validar as divergências apontadas em sua perícia preliminar.

O perito declarou que, dentro de “uma ou duas semanas”, entregaria ao Timão um cálculo revisado, afirmando que “tudo o que eu tenho lá são os números que estão nos autos” e que não confia plenamente nos dados apresentados, pois alguns valores não coincidem com os registros da própria Caixa.

Pedro Soares, ao responder à Gazeta Esportiva, enfatizou que a documentação solicitada é sigilosa e que a liberação indiscriminada poderia comprometer a estratégia de negociação do clube, ressaltando que qualquer compartilhamento será feito mediante ofício formal e sob estrita proteção jurídica.

A recusa pode dificultar uma renegociação com a Caixa, que ainda não recebeu uma proposta oficial de revisão da dívida; caso as discrepâncias sejam confirmadas, o Corinthians poderia pleitear redução de juros ou revisão de parcelas, mas também corre o risco de enfrentar um litígio que atrasaria o fluxo de caixa necessário para salários e investimentos esportivos.

Além do impacto financeiro imediato, a disputa evidencia a crescente pressão de torcedores e órgãos de controle por maior transparência nas contas públicas de clubes que utilizam recursos de bancos estatais, um cenário que tem levado outras instituições a reverem seus contratos de financiamento.

Nos próximos dias, Anísio deve receber os documentos requisitados e concluir a nova análise; o clube, por sua vez, tem prevista uma reunião da diretoria executiva para decidir a estratégia de negociação com a Caixa, enquanto a imprensa acompanha de perto o desenrolar da controvérsia.

Fonte: Gazeta Esportiva

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