Corinthians recusa entrega de documentos ao perito que aponta cobrança indevida da Caixa
Diretor de Negócios Jurídicos nega acesso a extratos da Neo Química Arena enquanto perito busca refazer cálculos da dívida.

O diretor de Negócios Jurídicos do Corinthians, Pedro Soares, garantiu à Gazeta Esportiva que o clube não enviará ao perito Anísio Costa Castelo Branco os documentos confidenciais referentes ao financiamento da Neo Química Arena, mesmo após a alegação de cobrança indevida por parte da Caixa Econômica Federal.
A Neo Química Arena, concluída em 2021, foi viabilizada em grande parte por um empréstimo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão concedido pela Caixa, cujo pagamento tem sido ponto de atenção nas finanças corintianas, já pressionadas por déficits operacionais e necessidade de amortizar a dívida em curto prazo.
Na quarta‑feira passada, Anísio compareceu ao Parque São Jorge, encontrou a diretoria e recebeu a promessa de que documentos como extratos bancários e comprovantes de pagamento seriam encaminhados para que ele pudesse refazer os cálculos e validar as divergências apontadas em sua perícia preliminar.
O perito declarou que, dentro de “uma ou duas semanas”, entregaria ao Timão um cálculo revisado, afirmando que “tudo o que eu tenho lá são os números que estão nos autos” e que não confia plenamente nos dados apresentados, pois alguns valores não coincidem com os registros da própria Caixa.
Pedro Soares, ao responder à Gazeta Esportiva, enfatizou que a documentação solicitada é sigilosa e que a liberação indiscriminada poderia comprometer a estratégia de negociação do clube, ressaltando que qualquer compartilhamento será feito mediante ofício formal e sob estrita proteção jurídica.
A recusa pode dificultar uma renegociação com a Caixa, que ainda não recebeu uma proposta oficial de revisão da dívida; caso as discrepâncias sejam confirmadas, o Corinthians poderia pleitear redução de juros ou revisão de parcelas, mas também corre o risco de enfrentar um litígio que atrasaria o fluxo de caixa necessário para salários e investimentos esportivos.
Além do impacto financeiro imediato, a disputa evidencia a crescente pressão de torcedores e órgãos de controle por maior transparência nas contas públicas de clubes que utilizam recursos de bancos estatais, um cenário que tem levado outras instituições a reverem seus contratos de financiamento.
Nos próximos dias, Anísio deve receber os documentos requisitados e concluir a nova análise; o clube, por sua vez, tem prevista uma reunião da diretoria executiva para decidir a estratégia de negociação com a Caixa, enquanto a imprensa acompanha de perto o desenrolar da controvérsia.
Fonte: Gazeta Esportiva
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