Emery lamenta saída de Watkins e chama vendas de £50 mi de “loucura”
Treinador do Aston Villa destaca o choque financeiro e o desafio de substituir o artilheiro.

Unai Emery não escondeu a emoção ao se despedir de Ollie Watkins, que acertou com o Al‑Hilal, e classificou as duas negociações de £50 milhões – Watkins e Ezri Konsa – como “loucura”. A declaração veio logo após a goleada por 4 a 0 sofrida contra o Brighton na estreia da Premier League, deixando o Villa em situação delicada. O técnico enfatizou que, apesar do choque, o dinheiro chega num momento crucial para o clube.
Watkins chegou ao Aston Villa em 2020, vindo do Brentford, e rapidamente se tornou o maior artilheiro do clube na era da Premier League, acumulando mais de 50 gols. Na primeira rodada da temporada 2026/27, o Villa ocupava a zona de rebaixamento após a derrota para o Brighton, o que aumenta a pressão sobre a diretoria. A venda de Konsa ao Arsenal, por £51 milhões, chegou logo depois, reforçando a necessidade de recursos financeiros.
O atacante inglês havia deixado os treinos na semana que antecedeu o confronto com o Brighton, tentando concluir a transferência para o Al‑Hilal. Após a partida, ele reconheceu o erro, pediu desculpas aos companheiros e recebeu um abraço emocionado de Emery, que admitiu lágrimas. O clube recebeu cerca de £50 milhões pela negociação, valor que o treinador descreveu como “loucura” mas inevitável, já que o jogador queria sair.
Para preencher o vazio deixado por Watkins, o Villa assinou contrato de cinco anos com Nicolas Jackson, vindo do Chelsea após duas temporadas na capital. O clube busca registrar o atacante antes da partida contra o Arsenal, marcada para a segunda rodada em Villa Park. Jackson, de 22 anos, traz velocidade e versatilidade, mas ainda não tem experiência consolidada na Premier League.
Financeiramente, os £100 milhões somados das duas vendas representam um dos maiores influxos de caixa do Villa nas últimas duas décadas, permitindo amortizar dívidas e potencialmente financiar reforços de qualidade. Contudo, o desafio será equilibrar a folha salarial, já inflacionada pelos salários de jogadores como Watkins, e reinvestir de forma estratégica para não comprometer a competitividade. Em comparação, clubes como Tottenham e Newcastle ainda operam com orçamentos menores, mas com maior estabilidade de elenco.
Taticamente, a saída de Watkins elimina a principal referência de finalização do Villa, obrigando Emery a adaptar seu esquema ofensivo. Jackson pode oferecer opções de contra‑ataque, mas ainda não tem o histórico de gols que Watkins acumulou. O técnico pode optar por um 4‑3‑3 mais dinâmico, usando o meio‑campo para criar oportunidades, mas a falta de um finalizador clássico pode custar pontos nas primeiras partidas.
A postura de Emery ao defender que o Villa “não quer ser um clube de vendas” revela a tensão entre a ambição esportiva e a realidade de jogadores que exigem mudanças. A diretoria, ao aceitar as propostas, demonstra que o modelo de negócio ainda depende de oportunidades de mercado, algo que pode gerar descontentamento entre a torcida. Ainda assim, a capacidade de transformar esses recursos em um elenco competitivo será o termômetro da estratégia de longo prazo.
O próximo desafio do Aston Villa será o clássico contra o Arsenal, onde Konsa poderá estrear pelo clube que o comprou. Os olhos estarão voltados para a estreia de Nicolas Jackson, que terá a missão de amenizar a ausência de Watkins. O desempenho da equipe nesta partida será um indicativo de como o Villa reagirá às mudanças financeiras e técnicas impostas por Emery.
Fonte: ge.globo
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.





