Flamengo rejeita corte de estrangeiros e pressiona CBF
Presidente Luiz Eduardo Baptista critica medida e pede flexibilização nas regras de contratação.

Na reunião da CBF realizada em 21 de setembro de 2026, o Flamengo foi um dos dois clubes a votar contra a proposta de reduzir o número de jogadores estrangeiros em campo a partir de 2027, medida aprovada pela maioria dos participantes. O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, justificou a posição ao apontar restrições ao mercado de contratações e à necessidade de manter a competitividade nas competições nacionais e internacionais. A votação contrária coloca o Rubro‑Negro em destaque no debate sobre a política de estrangeiros no futebol brasileiro.
Atualmente, o regulamento permite que cada clube alinhe até nove atletas estrangeiros por partida. A proposta da CBF prevê uma redução gradual: oito estrangeiros em 2027, chegando a cinco em 2030, para evitar impactos abruptos nos contratos já firmados. O Flamengo, que tem dez estrangeiros em seu elenco — Rossi, Varela, De la Cruz, Saúl, Pulgar, Arrascaeta, Plata, Valencia, Joaquín Freitas e Carrascal — já ultrapassa o limite vigente, o que demonstra a urgência da discussão para o clube.
Além da questão dos estrangeiros, a CBF apresentou outra pauta: o aumento progressivo de jogadores sub‑23 nas listas de 50 atletas, com exigência mínima de 20 jovens a partir de 2027 e meta de 25/25 até 2030. Bap considerou a medida benéfica, mas criticou a forma como foi inserida na agenda, alegando que foi imposta “de cima para baixo” sem prévio aviso aos clubes. A entidade, por sua vez, recusou abrir a discussão sobre a flexibilização da restrição de 12 jogos para a transferência de um jogador dentro do Brasileirão, tema que Bap também desejava colocar em pauta.
O posicionamento do Flamengo tem implicações táticas e financeiras. A redução do limite de estrangeiros poderia obrigar o clube a vender ou emprestar atletas como Arrascaeta e Varela, reduzindo a qualidade técnica que sustenta a campanha na Libertadores, onde o Rubro‑Negro busca repetir o título de 2022. Ao mesmo tempo, a necessidade de contratar mais jogadores nacionais ou jovens aumentaria a pressão sobre o orçamento, especialmente diante de lesões recentes como a de Ayrton Lucas e a reavaliação de Gabriel Barbosa (Plata).
Do ponto de vista do mercado, a medida da CBF visa alinhar a média de idade do Brasileirão — 28,5 anos, segundo a federação — com ligas europeias como Espanha (27) e França (26). Contudo, clubes como o Flamengo, que dependem de talentos estrangeiros para manter o nível competitivo, podem ver sua capacidade de atrair jogadores de alto calibre diminuída, afetando a exportação de atletas e a visibilidade internacional do campeonato. A proposta de aumento de jovens pode compensar a perda de experiência, mas requer investimento em categorias de base ainda incipiente em alguns clubes.
Politicamente, a votação contrária ao limite de estrangeiros e ao aumento de sub‑23 evidencia um desgaste entre os grandes clubes e a CBF, que tem introduzido mudanças sem amplo consenso. O fato de apenas Bahia e Flamengo terem se oposto indica que a maioria dos clubes aceita a lógica da federação, embora o debate sobre a imposição de regras ainda esteja aberto. A CBF prometeu avaliar a sugestão de Bap em futuro próximo, sinalizando que a discussão não está encerrada.
Um novo encontro entre a CBF e os representantes dos clubes está marcado para o próximo mês, onde se espera que o tema da flexibilização das transferências e a implementação gradual das mudanças de elenco sejam reavaliados. Para o Flamengo, o que está em jogo é manter a estrutura que lhe garante a liderança do Brasileirão e a disputa pela Libertadores, ao mesmo tempo em que equilibra as exigências de formação de jovens. Torcedores e analistas deverão observar como a federação ajustará as normas e se o clube conseguirá adaptar seu plantel sem perder competitividade.
Fonte: ge.globo
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