Jorge Jesus reconfigura Portugal e aposta em Ronaldo
O técnico chega com quatro novidades e deixa claro que o craque só joga se estiver rendendo.

Jorge Jesus anunciou, na manhã de 12 de setembro, a primeira lista de convocados da seleção portuguesa desde a eliminação nos oitavos contra a Espanha. O técnico trouxe de volta Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, e inseriu quatro nomes que não estavam no grupo de Roberto Martínez para a Copa do Mundo. A decisão marca o início de um projeto que busca unir experiência e renovação para mudar a dinâmica dos Quinas na Liga das Nações.
A eliminação para a Espanha, em 27 de junho, revelou fragilidades defensivas e falta de criatividade coletiva, apesar de um plantel recheado de estrelas. Roberto Martínez deixou o cargo com a seleção em 10 de agosto, após críticas ao estilo monótono que resultou em empates contra República Democrática do Congo e Colômbia e um dramático 2 a 1 sobre a Croácia nos 16‑avos. Portugal entrava no torneio como favorito, mas não conseguiu traduzir o potencial individual em um jogo coletivo eficiente.
A lista de Jesus traz 23 nomes: Diogo Costa (Porto), Rui Silva (Sporting) e Samuel Soares (Benfica) entre os goleiros; defensores como Rúben Dias (Manchester City) e João Cancelo (Barcelona); meias de peso, entre eles Bruno Fernandes (Manchester United) e Bernardo Silva (Real Madrid). As quatro surpresas são Samuel Soares, Nuno Tavares (Lazio), João Palhinha (Benfica) e Fábio Silva (Borussia Dortmund), que não foram chamados por Martínez. Jogadores que estavam na Copa – José Sá, Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Matheus Nunes – foram deixados de fora, indicando a aposta de Jesus em desempenho recente nos clubes.
Jesus, que comandou Ronaldo no Al‑Nassr, enfatizou que a escolha dos titulares será baseada no rendimento atual, não no prestígio. Ele já trabalhou com 13 dos 25 convocados, o que facilita a implantação de um estilo mais dinâmico, com transição rápida e pressão alta. A presença de jovens como Soares (24) e Tavares (26) abre espaço para testar formações com laterais ofensivos, enquanto a experiência de Dias e Cancelo garante solidez defensiva.
Quanto a Cristiano Ronaldo, o atacante foi lembrado como “um jogador como todos os outros” – só entra se render. “Se tem rendimento, joga; se não tem, não joga”, afirmou Jesus, reconhecendo o status de cinco Bolas de Ouro, mas descartando qualquer privilégio de escalação automática. O retorno de Ronaldo ao grupo traz um peso midiático e comercial enorme, mas sua participação dependerá da capacidade de se adaptar ao ritmo exigido por Jesus, que tem buscado maior movimentação dos meias.
Os próximos compromissos são contra País de Gales (24/09), Noruega (27/09 e 04/10) e Dinamarca (01/10) na fase de grupos da Liga das Nações. Esses jogos serão o primeiro teste real da nova filosofia, especialmente nas partidas contra a Noruega, onde a defesa compacta e o contra‑ataque serão decisivos. Se os jovens convocados conseguirem minutos consistentes, Portugal pode consolidar um núcleo que ainda terá quatro anos até a Copa de 2030.
O que observar nos próximos dias são as minutos de Ronaldo, a integração de Soares e Tavares na linha de fundo e a performance de Palhinha no meio‑campo. A resposta da torcida dependerá da capacidade da equipe de gerar jogadas de aceleração e criar oportunidades claras, algo que faltou na Copa. Um início positivo na Liga das Nações pode dar a Jesus a credibilidade necessária para moldar Portugal rumo a um futuro mais competitivo e, quem sabe, ao primeiro título mundial.
Fonte: Trivela
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