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Kai Havertz redefine o centroavante no Arsenal e inspira nova era tática

Arteta usa o alemão como peça-chave de geometria ofensiva, afastando o foco exclusivo nos gols.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Kai Havertz redefine o centroavante no Arsenal e inspira nova era tática

Kai Havertz está mudando a definição tradicional de centroavante no Arsenal, provando que marcar gols não é mais o único critério para medir o valor de um camisa 9. Nos quatro primeiros confrontos da Premier League 2026/27, o alemão já anotou duas vezes e ainda somou um gol na vitória por 2 a 1 sobre o Manchester City no Community Shield. Essa produção numérica, porém, é apenas a ponta do iceberg de sua contribuição ao time de Mikel Arteta.

Ao longo da carreira, Havertz foi rotulado como meia, atacante ou falso nove, mas foi em Londres que encontrou a posição mais próxima do centroavante clássico. A transição ocorreu justamente quando o Arsenal buscava um atacante que pudesse combinar presença física – ele tem 1,94 m e bom jogo aéreo – com mobilidade para recuar ao meio‑campo. O início da temporada 2026/27 confirmou a mudança: titular nas primeiras quatro partidas, ele já acumulou três gols e tem sido decisivo nas fases de construção ofensiva.

Antes da partida contra o Sunderland, Arteta explicou que a colocação de Havertz depende de variáveis como o momento da partida, a necessidade tática, a situação da bola e até a lateralidade do goleiro adversário. O técnico detalhou que, se o goleiro for destro, o passe natural tende a sair por um lado específico, enquanto um goleiro canhoto altera o ângulo de saída. Essa análise, publicada pelo The Athletic, mostrou que Havertz ocupa um “espaço” que varia conforme a informação disponível antes da jogada, e não uma posição fixa no campo.

Contra o Manchester City, Havertz aplicou a teoria ao posicionar‑se de modo a limitar as opções de Gianluigi Donnarumma, que é destro. Ao fechar a linha de passe pelo lado direito, forçou o goleiro a lançar a bola, criando a segunda bola para o Arsenal já com a estrutura defensiva preparada. O objetivo não era roubar a bola, mas manipular o ponto de saída do adversário, transformando a geometria da partida a favor dos Gunners.

A mesma lógica de pressão e movimentação está presente em outros centroavantes modernos. Gabriel Jesus, sob o comando de Pep Guardiola no Manchester City, foi destacado por sua agressividade defensiva; um levantamento do FBRef mostrou 28,22 pressões e 6,95 contra‑pressões por 90 minutos na temporada 2025/26, colocando-o entre os 5 % melhores em pressão nas cinco grandes ligas. Já Roberto Firmino, no Liverpool de Jürgen Klopp, provou que um 9 pode criar oportunidades sem tocar na bola, arrastando zagueiros e abrindo corredores para Sadio Mané e Mohamed Salah, apesar de ter marcado 111 gols pelo clube.

Esses exemplos apontam para uma redefinição de mercado: clubes agora valorizam atacantes que alteram a estrutura defensiva adversária, independentemente da conta de gols. O Arsenal, ao investir em Havertz, demonstra que a capacidade de gerar espaços, iniciar a pressão e adaptar o posicionamento tático pode ser tão decisiva quanto a finalização. Essa mudança influencia não apenas a escolha de contratações, mas também a formação de jovens talentos nas academias, que são treinados para ser “centroavantes de geometria” ao invés de meros finalizadores.

Nos próximos compromissos da Premier League, Arteta deverá testar a versatilidade de Havertz contra equipes que variam na lateralidade dos goleiros e na organização defensiva. Observadores deverão focar em como o alemão altera os ângulos de saída, a frequência de pressões na zona de defesa e a capacidade de abrir linhas para os meias de criação. Se o padrão se confirmar, o Arsenal pode consolidar um modelo de ataque que inspire outras equipes a repensar o papel do camisa 9.

Fonte: Trivela

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