Kaio Jorge cobre pênalti e troca farpas com Matheus Pereira na vitória do Cruzeiro
Leitura labial revela a tensão entre os dois atacantes ao decidir quem assumiria a cobrança decisiva contra o Athletico-PR.

Na noite de 7 de setembro de 2026, o Cruzeiro venceu o Athletico-PR no Mineirão, mas o destaque ficou fora das quatro linhas: Matheus Pereira e Kaio Jorge protagonizaram uma acalorada troca ao decidir quem cobraria o pênalti que selou o terceiro gol da equipe. O episódio, capturado em vídeo e decodificado pelo especialista em leitura labial Velloso, trouxe à tona uma fissura na relação entre dois dos principais atacantes do time. O incidente ganhou repercussão imediata nas redes sociais, alimentando debates sobre liderança dentro do elenco e a gestão de cobranças de pênaltis.
O Cruzeiro, que ocupa a sexta posição do Brasileirão com 38 pontos após 17 rodadas, tem buscado consolidar um ataque mais equilibrado desde a contratação de Matheus Pereira, vindo do Benfica, e a ascensão de Kaio Jorge, artilheiro do time na primeira metade da temporada. Até o confronto contra o Athletico-PR, Matheus era o cobrador oficial, responsável por quatro cobranças diretas, duas convertidas, enquanto Kaio havia assumido a responsabilidade em duas oportunidades, ambas bem-sucedidas. O duelo ocorreu em um momento crítico: o clube luta por uma vaga nas Libertadores e precisa manter a consistência ofensiva para não ceder terreno aos rivais diretos.
Segundo Velloso, a sequência de falas começou com Matheus implorando: “Dá, me dá… Kaio, Kaio, vai ficar feio”. Kaio respondeu de forma curta: “Pois é, vai. Melhor sair”, antes de insistir: “Eu vou bater. Você não fez o gol, velho. Vai ficar feio se você não sair”. O diálogo terminou com Matheus levantando o dedo, gesto que a câmera da Globo capturou logo após a cobrança de Kaio, que converteu o pênalti e completou o terceiro gol da partida. O zagueiro João Marcelo confirmou que a discussão se estendeu ao vestiário, embora não tenha sido seguida de agressões físicas.
A disputa evidencia um dilema tático e psicológico para o técnico do Cruzeiro, que ainda não foi oficialmente identificado nas declarações públicas. Manter dois jogadores com perfil de finalização e ego forte pode gerar rivalidade saudável, mas também pode minar a coesão do grupo se não houver uma política clara de definição de responsabilidades. A escolha de Kaio para a cobrança, apesar da preferência de Matheus, pode sinalizar ao treinador que a confiança está sendo depositada no atacante que tem maior taxa de conversão nas últimas partidas, mas também arrisca alienar o meia, que tem sido peça-chave na criação de jogadas.
A reação da torcida foi imediata: nas redes, torcedores do Cruzeiro dividiram-se entre quem defende a decisão de Kaio e quem critica a postura de Matheus, acusando-o de egoísmo. O presidente do clube ainda não se pronunciou, mas a diretoria tem histórico de intervir em conflitos internos que possam comprometer o desempenho coletivo, como ocorreu na temporada passada com a disputa entre o atacante Arrascaeta e o meia Rafael Sóbis. Caso a situação evolua para um clima de atrito permanente, o clube pode optar por redefinir o papel de cobrador, possivelmente estabelecendo um rodízio ou delegando a tarefa a um jogador de fora do ataque, como o lateral-esquerdo Lucas Romero, que já demonstrou precisão em cobranças de falta.
Nos próximos dias, o Cruzeiro encara o Bahia em casa, partida que será decisiva para consolidar a posição na zona de classificação à Libertadores. O técnico deverá esclarecer a hierarquia de cobranças antes do duelo, evitando que a tensão se reflita em campo. Observadores apontam que a postura de Kaio e Matheus nos treinamentos, bem como a resposta do grupo ao episódio, serão indicadores claros de como o clube gerenciará a liderança ofensiva rumo ao final da temporada.
Fonte: ge.globo
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