Lidson Potsch garante presidência da associação do Cruzeiro até 2029
Reeleição por aclamação reforça a aliança com a SAF e o desafio de honrar a recuperação judicial.

O Cruzeiro confirmou, em 21 de setembro de 2026, a reeleição de Lidson Potsch à presidência da associação do clube, garantindo sua permanência no cargo até o fim de 2029. A decisão, tomada por aclamação, chega num momento em que a instituição ainda cumpre o plano de recuperação judicial aprovado no último ano. Para os torcedores, a continuidade representa estabilidade institucional em meio a um cenário de reestruturação financeira e esportiva.
A associação, que representa os sócios e detém a marca do Cruzeiro, tem seu papel reduzido desde a venda de ações para a empresa de Ronaldo Fenômeno, concluída em 2023. Enquanto a SAF, comandada por Pedro Lourenço, administra o futebol e as finanças operacionais, a associação concentra-se em questões societárias, como o pagamento de credores e a preservação da história do clube. Lidson, médico de formação e natural de Viçosa (MG), ingressou na gestão como vice‑presidente na administração de Sérgio Santos Rodrigues, responsável pela transformação do clube em empresa.
A chapa de Potsch, composta pelos vice‑presidentes Demetrius Granata e Waldeyr Estevão, foi a única inscrita no processo eleitoral, o que permitiu a eleição por aclamação sem necessidade de votação. O estatuto da associação limita a dois mandatos consecutivos; assim, este será o segundo e último mandato de Lidson, encerrando-se em 31 de dezembro de 2029. A ausência de concorrência reflete, em parte, o consenso entre os principais dirigentes da SAF sobre a necessidade de manter a mesma liderança institucional.
Com a transferência das ações, o presidente da associação perdeu poder efetivo sobre as decisões de futebol, que agora são exclusivas da SAF. A principal missão de Potsch passa a ser garantir o cumprimento das obrigações com os credores, conforme o plano de recuperação judicial que prevê pagamentos escalonados até 2028. Essa separação de funções tem gerado dúvidas sobre a real influência da associação nas políticas de contratações e na definição de projetos esportivos.
A situação financeira do Cruzeiro ainda é delicada: o clube possui dívida superior a R$ 500 milhões, e o plano de recuperação exige a quitação de parcelas mensais que consomem boa parte da receita de direitos de transmissão e patrocínios. A continuidade de Potsch traz a promessa de “novos projetos e novos investimentos”, mas, na prática, a viabilidade depende da capacidade da SAF de gerar caixa suficiente para honrar os compromissos. O apoio de Pedro Lourenço, presidente da SAF, será crucial para alinhar as estratégias de arrecadação e evitar novos atrasos.
Embora a associação não decida sobre a escalação, a estabilidade institucional pode refletir na confiança da diretoria técnica. Recentemente, o treinador Artur Jorge explicou a retirada de Fabrício Bruno do time titular, decisão tomada pela SAF, demonstrando que o comando esportivo segue independente da associação. Contudo, a relação harmoniosa entre Potsch e a SAF pode facilitar a comunicação entre sócios e a diretoria, reduzindo atritos que, em temporadas anteriores, culminaram em protestos nas arquibancadas.
A aliança entre Lidson Potsch, Pedro Lourenço e Ronaldo Fenômeno consolida um bloco de poder que controla tanto a esfera societária quanto a operativa do clube. Essa concentração pode acelerar a implementação de projetos de infraestrutura, como a reforma da Toca da Raposa, mas também gera risco de críticas sobre falta de pluralismo nas decisões estratégicas. Torcedores e imprensa acompanharão de perto como essa parceria influenciará a transparência nas negociações de patrocínios e na gestão da dívida.
Nos próximos dias, o Cruzeiro realizará a Assembleia Geral Extraordinária para aprovar o calendário de pagamentos aos credores, enquanto o time se prepara para a fase de grupos da Libertadores 2026. A reeleição de Potsch será avaliada à luz dos resultados esportivos e da capacidade da SAF de cumprir o plano de recuperação. Observadores deverão monitorar se a estabilidade institucional se traduzirá em maior segurança financeira e em um desempenho consistente no torneio continental.
Fonte: ge.globo
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