Morre Xaxá, ícone da Portuguesa e Londrina, aos 74 anos
O ex-meia, campeão paulista de 1973 e protagonista da histórica campanha de 1977 do Londrina, deixa legado como jogador e formador de jovens.

Xaxá, nome artístico de Maximiliano Rodrigues Lopes, morreu nesta quarta-feira (16) aos 74 anos enquanto residia no Guarujá, litoral de São Paulo, sem que a causa tenha sido divulgada. O ex-meia foi peça fundamental nas conquistas da Portuguesa em 1973 e na campanha histórica do Londrina em 1977, além de integrar o Vasco vice-campeão brasileiro em 1979. Seu falecimento reacende a memória de uma geração que marcou o futebol brasileiro nos anos 70. As notas de pesar da Portuguesa, da Portuguesa Santista e do Londrina confirmam a importância do atleta para as instituições.
A carreira de Xaxá começou na Portuguesa Santista, onde, ainda adolescente, estreou em 1969 nos gramados de Ulrico Mursa. Em 1970 transferiu‑se para a Portuguesa de Desportos, permanecendo até 1976 e acumulando 230 partidas e 11 gols. O ponto alto foi o Campeonato Paulista de 1973, decidido nos pênaltis após um erro de arbitragem que provocou a divisão do título, mas que consolidou a Lusa como campeã. Esse episódio ainda é lembrado como um marco de controvérsia e paixão no futebol paulista.
Em 1977 Xaxá assinou com o Londrina e integrou o time que chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro, terminando em quarto lugar – a melhor campanha da história do clube. Ele marcou dois gols decisivos nas fases contra Goiânia e Vila Nova, no chamado “pacto de Goiânia”, que impulsionou o Tubarão rumo à fase decisiva, eliminando gigantes como Flamengo, Corinthians, Santos e Vasco. A campanha de 1977 permanece como referência de superação para a torcida alviceleste. O próprio clube destacou esses feitos nas notas de luto, reforçando o papel de Xaxá como herói local.
Após o destaque no Londrina, Xaxá vestiu a camisa do Vasco em 1979, contribuindo para a campanha que terminou como vice‑campeã nacional. Nos anos seguintes, passou por Juventus‑SP, Uberlândia e encerrou a carreira em 1980 na União Rondonópolis. Fora dos gramados, atuou como comentarista de futebol, lecionou nos Estados Unidos e treinou nas categorias de base da Portuguesa Santista e da Portuguesa, formando jovens talentos. Essa transição demonstra sua dedicação ao esporte além da vida de atleta.
A trajetória de Xaxá ilustra a importância de jogadores que, embora não tenham sido superestrelas globais, deixaram marcas profundas nos clubes regionais. Seu papel como formador de jovens ampliou seu legado, influenciando gerações que ainda lembram suas aulas e conselhos táticos. A presença de ex‑atletas como ele nas bases ajuda a preservar a identidade cultural dos clubes, conectando passado e futuro. Essa continuidade é vital para a manutenção da tradição nos times de médio porte.
A morte de Xaxá reacende o debate sobre a preservação da memória histórica no futebol brasileiro, sobretudo em clubes que não dispõem de grandes arquivos midiáticos. Enquanto a imprensa esportiva costuma focar nas figuras atuais, a lembrança de personagens como Xaxá reforça a necessidade de projetos de arquivo e homenagens institucionais. Torcedores, ex‑companheiros e jornalistas já compartilham relatos nas redes, mantendo viva a história que ele ajudou a escrever. Esse movimento de recordação pode inspirar outras agremiações a valorizar seus próprios ídolos esquecidos.
Portuguesa, Portuguesa Santista e Londrina já divulgaram notas de pesar e prometem homenagear o ex‑jogador nas próximas semanas, embora ainda não tenham anunciado a forma exata das celebrações. É provável que haja minutos de silêncio nas partidas oficiais, além de publicações nas redes sociais dos clubes. Para os torcedores, a lembrança de Xaxá representa um elo entre o passado glorioso e o presente em busca de novos triunfos. O que se observará nos próximos jogos será a forma como cada clube incorpora essa homenagem ao seu discurso esportivo.
Fonte: ge.globo
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