MP investiga superlotação no Maracanã e pressiona Flamengo e Fluminense
Inquérito civil do Gaedest aponta indícios de venda excessiva de ingressos entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.

O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou nesta quarta‑feira um inquérito civil para apurar indícios de superlotação em setores do Maracanã durante partidas de Flamengo e Fluminense, clubes que administram o estádio por meio da Fla‑Flu Serviços S.A. A medida surge após a constatação de que o número de ingressos emitidos pode ter ultrapassado a capacidade física de alguns setores entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. O caso ganha relevância porque coloca em xeque a segurança dos torcedores e a credibilidade das gestões dos dois maiores clubes cariocas.
Flamengo e Fluminense dividem o Maracanã desde 2019, utilizando a mesma estrutura de bilheteria, segurança e logística, o que simplifica a operação mas também concentra a responsabilidade em ambas as partes. Na temporada atual, o Flamengo registrou o maior público como mandante ao vencer o Cruzeiro por 2 a 1 nas oitavas de final da Libertadores, com 72.481 presentes e 68.510 pagantes. O Fluminense, por sua vez, teve 48.700 presentes – 45.195 pagantes – na derrota por 3 a 1 para o Vasco nas oitavas da Copa do Brasil, números que, segundo o MP, podem esconder irregularidades de controle de lotação.
O Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest), braço do MP‑RJ, solicitou que os clubes entreguem, em até 15 dias, o número total de ingressos emitidos por partida, discriminados entre vendas, cortesias e gratuidades, bem como o número efetivo de torcedores presentes, setor por setor. O objetivo é identificar se há justificativa técnica para a diferença entre a capacidade nominal de cada área e o fluxo de pessoas que efetivamente adentraram o estádio. O inquérito também busca entender se foram adotados procedimentos de controle de acesso compatíveis com as normas de segurança pública.
Além dos dois clubes, o inquérito notificou o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), as empresas FutebolCard e Cognitive Ruptix Solution – responsáveis pela comercialização e logística dos ingressos – e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). O Gaedest requer que essas entidades apresentem relatórios detalhados sobre a emissão de bilhetes, a alocação de cotas por setor e eventuais ajustes realizados durante o período analisado. A amplitude das notificações indica que a suspeita de superlotação pode envolver falhas sistêmicas na cadeia de venda e controle de público, e não apenas decisões pontuais dos clubes.
Caso sejam confirmadas as irregularidades, Flamengo e Fluminense podem enfrentar sanções que vão desde multas pesadas até a suspensão temporária de jogos no Maracanã, o que impactaria diretamente a arrecadação de receitas de bilheteria, patrocínios e direitos de transmissão. A possibilidade de perda de um dos principais palcos de suas campanhas – tanto no Brasileirão quanto nas competições continentais – pode ainda forçar uma reavaliação de estratégias de calendário e logística, exigindo deslocamento para estádios alternativos em curto prazo.
A investigação também tem potencial de abalar a confiança da torcida, que tem exigido cada vez mais transparência e segurança nos estádios. Incidentes de superlotação podem gerar protestos organizados por grupos de torcedores, bem como pressão de patrocinadores que não desejam associar suas marcas a falhas de segurança. Historicamente, casos semelhantes no futebol brasileiro resultaram em mudanças regulatórias mais rigorosas, como a implementação de sistemas de controle de acesso por biometria e a revisão de contratos de gestão de estádios.
Flamengo, Fluminense, Bepe, FutebolCard, Cognitive Ruptix Solution e Ferj têm até 15 dias, contados a partir da notificação, para apresentar documentos e esclarecimentos ao MP‑RJ. Enquanto as respostas são analisadas, o Gaedest pode solicitar auditorias independentes ou a suspensão de novas vendas de ingressos até que a situação seja regularizada. Torcedores e observadores deverão acompanhar as próximas declarações oficiais dos clubes e a eventual definição de medidas corretivas antes dos próximos compromissos da temporada.
Fonte: ge.globo
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.





