Pelé estreia e marca primeiro gol aos 15 anos, 70 anos depois
Américo Guazzelli viu o garoto de Três Corações transformar tarefa de comprar cigarros em lenda.

No dia 7 de setembro de 1956, Edson Arantes do Nascimento, então com 15 anos, 10 meses e 15 dias, entrou no segundo tempo do amistoso entre Santos e o Corinthians de Santo André e marcou o sexto gol da equipe, inaugurando a sequência de 1.283 gols que o tornariam o maior artilheiro da história do futebol.
A partida, realizada no desaparecido Estádio Américo Guazzelli, era um amistoso sem importância competitiva, mas servia para celebrar o Troféu Independência, referência à Independência do Brasil. O Santos, defendendo o título paulista de 1955, havia sido escalado com a formação principal pelo técnico Lula, numa demonstração de confiança na juventude que surgia nos treinos.
O gol de Pelé foi registrado por Zaluar, goleiro do Corinthinha, que mais tarde carregaria um cartão de visitas com a inscrição "Zaluar – Gol de Rei Pelé – 001". Embora o mesário Nelson Cerchiari tenha inicialmente atribuído a autoria a Raimundinho, a correção veio 13 anos depois, quando a imprensa já reconhecia o menino como futuro tricampeão mundial. A crônica de Schank descreve o lance: Hélvio cabeceou, a bola chegou ao meio‑campo, Pelé driblou Zico e Dati e finalizou na saída de Zaluar.
Antes de se tornar "Rei", o garoto era conhecido como "Gasolina" e passava despercebido pelos veteranos que o enviavam para comprar cigarros. Segundo o ponta‑esquerda Pepe, Pelé chutava mal com a esquerda, mas treinava incessantemente até igualar a qualidade do pé direito, mostrando a disciplina que caracterizaria sua carreira.
A estreia precoce foi decisiva para a ascensão meteórica de Pelé: em 1957 consolidou‑se como titular do Santos, em 1958 já integrava a Seleção brasileira e, após a vitória sobre o America do Rio, recebeu o epíteto de "Rei". O relato de Ruy Castro destaca que o jovem já despontava como figura central antes mesmo da Copa de 1958, quando o Brasil conquistou seu primeiro título mundial.
Do ponto de vista institucional, o gol reforçou a imagem do Santos como celeiro de talentos e ampliou a visibilidade do clube nacional e internacionalmente. A mídia da época, embora limitada, começou a acompanhar o prodígio, criando um ciclo de exposição que atraiu patrocinadores e torcedores, contribuindo para a consolidação financeira do clube nos anos seguintes.
Setenta anos depois, a memória desse primeiro gol ainda reverbera. O Santos planeja uma série de eventos comemorativos, incluindo exposição no Museu Pelé e uma partida simbólica no antigo local de Guazzelli, para celebrar a origem de uma lenda que ainda inspira gerações.
Fonte: Folha Esporte
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