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Ponte Preta recorre a base após greve de jogadores e troca de técnico

Crise financeira leva o clube a escalar atletas da categoria de base contra o América-MG e a reintegrar Gilson Kleina ao comando.

Redação Voz do Gol2 min de leitura
Ponte Preta recorre a base após greve de jogadores e troca de técnico

Na manhã de domingo (30/08/2026), a Ponte Preta entrará em campo contra o América-MG com um time formado exclusivamente por atletas da base, após o elenco profissional declarar greve por salários atrasados há seis meses, conforme comunicado enviado à diretoria na última quarta-feira (26). A medida evita um possível W.O. e evidencia a gravidade da crise financeira que assola o clube campineiro.

O Alvinegro está na 24ª rodada da Série B com apenas 10 pontos, vivendo uma sequência de 18 partidas sem vencer. Essa situação coloca a equipe na zona de risco de queda, enquanto a falta de recursos tem impedido o pagamento regular de salários, gerando um clima de abandono entre os profissionais. Historicamente, a Ponte Preta já enfrentou dificuldades financeiras, mas a atual morosidade ultrapassa o que o clube havia suportado nas últimas décadas.

O comunicado de 26/08/2026, assinado pelos jogadores, declara que a paralisação permanecerá até a regularização dos pagamentos, citando “sentimento de abandono” e “desrespeito da atual diretoria”. No mesmo dia, o então técnico Márcio Zanardi entregou sua demissão, alegando impossibilidade de trabalhar em um ambiente marcado por inadimplência. A diretoria, por sua vez, anunciou o retorno de Gilson Kleina, que já comandou a equipe em cinco oportunidades anteriores.

Ao ser apresentado na sexta-feira (28/08/2026), Kleina ressaltou o “maior desafio da sua carreira”, destacando que o clube acumula 18 jogos sem vitória e apenas 10 pontos em 24 rodadas. O treinador enfatizou que a mistura de experiência e juventude seria ideal, mas reconheceu que, neste momento, a equipe terá “só juventude”, o que pode gerar resultados positivos em energia, porém negativos em consistência tática.

Do ponto de vista técnico, a ausência de jogadores experientes limita a capacidade de manter a estrutura defensiva e de executar um plano de jogo mais elaborado contra um América-MG que já demonstra solidez. A aposta na velocidade e na improvisação dos jovens pode surpreender, mas a falta de liderança em campo eleva o risco de erros decisivos, potencializando a queda na tabela. Além do desempenho, a situação pode acarretar sanções da CBF caso o clube não cumpra requisitos de regularidade financeira.

Financeiramente, a greve evidencia a necessidade urgente de renegociação de dívidas e busca por novos investidores. Torcedores organizados já manifestaram nas redes sociais a exigência de pagamento imediato, enquanto patrocinadores podem reconsiderar apoio diante da instabilidade. O episódio reforça um padrão recorrente no futebol brasileiro, onde clubes de tradição enfrentam crises de gestão que afetam diretamente o desempenho esportivo.

Nos próximos dias, a Ponte Preta tem agendado confrontos contra o Vila Nova (04/09) e o Guarani (11/09), ainda na Série B. Observadores deverão analisar se a pressão da torcida e a presença de Gilson Kleina conseguirão acelerar o pagamento dos salários e, consequentemente, a volta dos jogadores ao elenco. O desfecho da partida contra o América-MG será, portanto, um termômetro da capacidade do clube de superar a crise e evitar o rebaixamento.

Fonte: Folha Esporte

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