Portuguesa precisa alinhar SAF e associação para evitar falência
A sobrevivência da Lusa depende da homologação da recuperação judicial e do novo projeto do Canindé.

A Portuguesa vive um impasse que vai além do futebol: a SAF que administra o time detém 80% do capital, enquanto a associação mantém 20% e voto qualificado, e a falta de homologação da recuperação judicial coloca em risco a própria existência da Lusa.
A conversão da Portuguesa em Sociedade Anônima de Futebol (SAF) foi adotada como solução para a crise financeira que assolava o clube desde a década passada, seguindo o modelo que tem sido implementado em dezenas de clubes brasileiros para atrair investimento privado e profissionalizar a gestão.
No novo arranjo, os investidores controlam a gestão cotidiana da equipe, mas a associação ainda tem obrigações legais: fiscalizar a SAF, aprovar o novo estatuto, e, sobretudo, conduzir o processo de recuperação judicial que, sem homologação, pode levar à falência e ao desaparecimento da entidade social que sustenta a SAF.
O terreno do antigo Estádio do Canindé, localizado na Zona Norte de São Paulo, permanece como o único ativo valioso da Portuguesa; a compra da parcela concedida pela prefeitura, ainda dependente de aprovação de projeto de lei municipal, é a base para o futuro clube social verticalizado que deve gerar receitas sustentáveis.
Sob a presidência de Leandro Teixeira Duarte, a associação já apresenta superavit graças a aluguéis de espaços para eventos, à revitalização da Adega da Lusa e à parceria com a Colorado do Brás, além da contratação de profissionais de marketing que buscam ampliar a captação de recursos e a visibilidade da marca.
A aprovação do novo estatuto, concluída no Conselho Deliberativo em dezembro de 2025, ainda aguarda parecer do Conselho de Orientação e Fiscalização e a votação em Assembleia Geral; a modernização das regras internas é essencial para alinhar interesses entre investidores e associados e evitar a estagnação institucional.
Nos próximos meses, a prioridade será a homologação da recuperação judicial, a aprovação do projeto de lei que viabiliza a compra do terreno e a convocação da Assembleia Geral para validar o estatuto; a execução do novo Canindé será o termômetro da capacidade da Lusa de transformar patrimônio em fluxo de caixa e garantir sua longevidade.
Fonte: ge.globo
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