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RFEF firma acordo pioneiro para congelar óvulos de atletas femininos

A parceria com a clínica Tambre garante suporte reprodutivo a jogadoras, árbitras e funcionárias da seleção até 2029.

Redação Voz do Gol2 min de leitura
RFEF firma acordo pioneiro para congelar óvulos de atletas femininos

A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) assinou nesta terça‑feira (8) um acordo com a clínica de reprodução assistida Tambre que garante o congelamento de óvulos a todas as jogadoras da seleção feminina, árbitras e funcionárias, um passo inédito no âmbito federativo mundial.

O pacto chega num momento em que a Espanha vive a era dourada do futebol feminino: campeã da Copa do Mundo de 2023, a equipe tem atletas como Olga Carmona e Patri Guijarro em plena fase de pico de desempenho, coincidindo com a faixa etária mais fértil, o que historicamente tem pressionado as jogadoras a escolher entre maternidade e carreira.

Valendo até 2029, o acordo tem efeito retroativo a abril de 2025 e cobre quem tenha sido convocado para ao menos duas partidas da seleção, além de árbitras, funcionárias da RFEF e jogadoras da seleção de futsal; a RFEF arcará integralmente com o custo do congelamento, inicialmente previsto para cinco anos, permitindo que ao término a atleta continue o tratamento ou doe os óvulos para pesquisa ou reprodução assistida.

Rafael Louzán, presidente da RFEF, definiu o programa “inovador no âmbito federativo em nível mundial”, enquanto a diretora‑geral da Tambre, Inge Komerlink, detalhou que o procedimento inclui acompanhamento médico completo; a diretora de futebol feminino da federação, Reyes Bellver, reforçou que a iniciativa visa proteger as atletas durante a idade mais fértil, e as próprias jogadoras, como Carmona, celebraram a possibilidade de decidir livremente sobre seu futuro materno.

Do ponto de vista tático e de gestão de elenco, a medida pode reduzir a rotatividade causada por suspensões de carreira por gravidez, permitindo que treinadores planejem a escalação a longo prazo sem temer perdas inesperadas; financeiramente, o investimento da RFEF sinaliza um comprometimento maior com a igualdade de gênero, podendo inspirar outras federações a adotar políticas semelhantes para evitar a fuga de talentos para ligas que ofereçam melhores garantias reprodutivas.

Entretanto, o sindicato Comisiones Obreras criticou a solução, argumentando que a ênfase em reprodução assistida pode desviar o debate de políticas que permitam a maternidade durante a carreira, como licenças remuneradas e suporte pós‑parto; a diretora Bellver atribuiu a resistência à falta de informação, ressaltando que a Espanha já lidera em iniciativas tanto no futebol masculino quanto feminino.

Nos próximos meses, a RFEF monitorará a adesão ao programa e receberá visitas de federações de todo o mundo interessadas em replicar o modelo, enquanto as atletas se preparam para os jogos de qualificação da Eurocopa 2028, onde a continuidade de talentos como Carmona e Guijarro será crucial para manter o nível de excelência da equipe.

Fonte: Folha Esporte

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