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VAR falha no clássico de Manchester e põe em xeque a cultura inglesa

O gol de Erling Haaland, validado por erro de impedimento, reacende o debate sobre a aplicação do VAR na Premier League.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
VAR falha no clássico de Manchester e põe em xeque a cultura inglesa

O Manchester City venceu o Manchester United por 1 a 0 no clássico de domingo, 13 de maio, graças a um gol de Erling Haaland que foi validado apesar de um impedimento claro envolvendo Enzo Fernández. O lance, que decidiu a partida, colocou o VAR sob os holofotes e gerou críticas de técnicos, jogadores e torcedores, que questionam a capacidade do sistema de corrigir erros decisivos.

A Premier League adotou o VAR na temporada 2019/20, dois anos depois da Serie A e da Bundesliga, prometendo menos intervenções e mais fluidez ao jogo. Desde então, a liga tem registrado médias de intervenções menores que as demais competições europeias, mas também tem sido acusada de permissividade excessiva em faltas dentro da área e de demoras que comprometem a experiência dos fãs. O clássico de Manchester, disputado na Etihad Stadium, chegou ao fim com 80 minutos de jogo efetivo, mas ainda carregou a sombra de um erro tecnológico que poderia ter sido evitado.

No momento da jogada, um cruzamento desviado chegou à segunda trave, onde Haaland finalizou sem estar em posição de impedimento. Enzo Fernández, porém, estava à frente do penúltimo defensor ao tentar cabecear a bola, o que deveria ter gerado uma nova origem do lance. O árbitro de vídeo Matt Donohue concentrou-se exclusivamente na posição de Haaland por 1 minuto e 20 segundos, ignorando a presença de Fernández e a possibilidade de reiniciar a jogada a partir do ponto de sua intervenção.

A gravação do áudio da cabine, divulgada pela própria liga, revela a ansiedade de Donohue e de seu assistente Blake Antrobus, que repetidamente exclamavam "rápido, rápido" enquanto revisavam o vídeo. Essa pressa resultou em uma decisão apressada que só foi reconhecida como falha após a partida ser reiniciada, replicando erros semelhantes, como o ocorrido entre Tottenham e Liverpool em 2023.

O impacto imediato recai sobre a credibilidade do VAR e sobre a confiança dos clubes na arbitragem. O Manchester City, que lidera a tabela com 81 pontos, garante três pontos que podem ser decisivos na corrida pelo título, enquanto o United, com 62 pontos, vê sua campanha de recuperação comprometida. Financeiramente, o erro pode gerar pressão sobre a Premier League para revisar protocolos, já que patrocinadores e investidores monitoram a integridade das decisões em jogos de alto valor comercial.

A reação institucional também foi rápida: a Professional Game Match Officials Limited (PGMOL) reconheceu o erro e prometeu uma revisão dos procedimentos de análise de impedimento. Enquanto isso, o Wolverhampton Wanderers chegou a solicitar a retirada do VAR da liga, proposta que foi rejeitada pelos demais clubes, mas que evidencia o descontentamento crescente entre as equipes sobre a eficácia da tecnologia.

Nos próximos dias, a atenção se volta para os confrontos finais da temporada: o City enfrenta o Chelsea em casa, enquanto o United tem um duelo contra o Newcastle no St. James' Park. Ambos os jogos serão oportunidades para observar se o VAR será utilizado com mais cautela ou se a pressão por rapidez continuará a gerar decisões controversas. O que se espera dos árbitros é maior rigor na análise de todas as variáveis do lance, sob pena de comprometer ainda mais a reputação da Premier League.

Fonte: Trivela

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