Vasco pressiona Conmebol e pede Maracanã para semifinal contra Boca
Clube carioca formaliza pedido e abre disputa sobre estádio, enquanto a Conmebol mantém exigência de 30 mil lugares.

O Vasco encaminhou um pedido formal à Conmebol para que a partida da semifinal contra o Boca Juniors, agendada para 13 de outubro, seja realizada no Maracanã, contestando a exigência de que o duelo não ocorra em São Januário por não atender ao mínimo de 30 mil lugares. O clube carioca argumenta que o estádio do Botafogo, a oito quilômetros de distância, não oferece condições adequadas de gramado, enquanto o Maracanã garantiria receita e apoio da torcida. A Conmebol ainda não se pronunciou, mantendo o impasse que já atrasou a divulgação oficial do calendário.
A decisão ocorre num momento decisivo para o Vasco, que saiu da zona de rebaixamento do Brasileirão e busca consolidar a boa fase que o tirou do Z‑4 nas últimas rodadas. O Boca Juniors chega à semifinal como favorito histórico, mas também tem enfrentado um calendário apertado na Argentina. Para o clube brasileiro, a partida representa a chance de conquistar um título continental que pode mudar a narrativa da temporada e atrair investimentos.
A normativa da Conmebol exige estádios com capacidade mínima de 30 mil lugares para semifinais, regra que exclui São Januário, com cerca de 21 mil assentos. O Vasco cita precedente da edição passada, quando a entidade autorizou o Independiente del Valle a jogar no estádio do Atlético‑MG, com apenas 12 mil lugares, alegando circunstâncias excepcionais. Contudo, a exceção foi concedida porque o Del Valle não dispunha de alternativa viável, enquanto o Vasco tem ao menos duas opções plausíveis: o Maracanã e o Nilton Santos, este último também com capacidade superior ao mínimo exigido.
O Nilton Santos, estádio do Botafogo, surge como segunda alternativa, mas o clube vascaíno o classifica como “última opção” devido ao gramado sintético, que pode prejudicar o estilo de jogo da equipe. Além disso, o Maracanã está sob administração do consórcio Fla‑Flu, que tem sido alvo de críticas recentes sobre a qualidade do gramado e a sobrecarga de jogos, já que o Flamengo disputará a Libertadores dois dias depois, em 15 de outubro. Essa sobreposição de compromissos aumenta a pressão sobre a logística e a manutenção do campo.
Financeiramente, a escolha pelo Maracanã poderia elevar a arrecadação de ingressos em até 50% em relação ao Nilton Santos, graças à maior capacidade e ao apelo de um estádio icônico. O aumento de receita seria crucial para o Vasco, que ainda lida com dívidas e busca equilibrar o caixa após a promoção à Série A. Por outro lado, a deterioração do gramado poderia comprometer a qualidade do espetáculo e gerar críticas da imprensa e dos torcedores, além de possíveis sanções da Conmebol caso o campo não atenda aos padrões.
Do ponto de vista tático, jogar no Maracanã oferece ao Vasco um ambiente familiar e pressão psicológica sobre o Boca, que terá que enfrentar a torcida carioca em um dos palcos mais temidos da América do Sul. Contudo, a proximidade do duelo do Flamengo na Libertadores pode forçar uma rotação de funcionários de manutenção, reduzindo a preparação do gramado. Caso a partida seja transferida para o Nilton Santos, o Vasco perderia parte da vantagem de público, mas garantiria um campo em melhores condições técnicas.
A Conmebol deve emitir um posicionamento oficial até o final da próxima semana, antes da abertura das portas para venda de ingressos. Enquanto isso, o Vasco prepara recurso jurídico caso a decisão seja desfavorável, e o consórcio Fla‑Flu avalia a possibilidade de ajustar a agenda do Maracanã para acomodar ambos os jogos. Torcedores, patrocinadores e analistas deverão observar a definição do estádio como indicador da capacidade do clube de gerir grandes eventos e de manter a competitividade na Sul‑Americana.
Fonte: ge.globo
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