Allan impulsiona Palmeiras e rende 2,9 mil% na venda ao City
A valorização recorde do atacante reflete a estratégia de formação e lucro do Verdão.

O Palmeiras oficializou a venda de Allan ao Manchester City por €40 milhões (R$ 240 milhões), com €37,5 mi fixos e €2,5 mi em bônus, garantindo 90% do valor. O atacante, que chegou ao clube em 2019, viu seus direitos econômicos subir 2.900%, de R$ 8 milhões para R$ 240 milhões, gerando lucro de R$ 46,4 milhões sobre os 20% adquiridos por R$ 1,6 milhão. A operação, concluída na segunda‑feira, coloca Allan entre as transferências brasileiras mais lucrativas da temporada.
Allan iniciou sua trajetória no futsal aos sete anos em Florianópolis, ingressou no Figueirense aos 14 e chamou a atenção do Palmeiras em um torneio de Minas Gerais, mudando-se para São Paulo em fevereiro de 2019. Em 2024 vestiu a camisa 10 do sub‑20, marcando 17 gols e quatro assistências, antes de ser promovido ao elenco profissional por Abel Ferreira quatro meses depois. A decisão de integrar o atacante ao time principal ocorreu após o jovem chorar na véspera da final do Brasileiro sub‑20, temendo a perda da categoria de base.
Na temporada 2025‑26, Allan consolidou-se como titular absoluto, registrando nove gols e 12 assistências, atuando inicialmente como meia‑atacante na ponta direita e, no segundo semestre, como ala em um esquema que exige pressão alta e transição rápida. Seu momento decisivo veio na semifinal da Libertadores contra a LDU, quando driblou a defesa, criou pênalti e deu assistência para o gol de Veiga, garantindo a vitória por 4 a 0. O técnico Abel Ferreira destacou a capacidade do jogador de “atacar e defender no corredor todo”, qualidade rara entre os pontas brasileiros.
Financeiramente, a compra dos 20% dos direitos de Allan por R$ 1,6 milhão foi um movimento de baixo risco que se transformou em lucro de R$ 46,4 milhões, reforçando a política de valorização de ativos do Palmeiras. O clube, que detinha 70% dos direitos, agora controla 90% do valor da transferência, permitindo reinvestir em reforços e na base. Essa operação demonstra como a formação interna pode gerar receitas comparáveis às vendas de jovens como Endrick ou Estêvão, mas com um caminho mais gradual e menos exposto a pressões externas.
Taticamente, a saída de Allan deixa uma lacuna na lateral direita e no corredor ofensivo, áreas que Abel Ferreira já sinalizou que serão cobertas por jogadores como Gabriel Veron e Giovani. O estilo de jogo do Verdão, baseado em transição vertical e pressão, exigirá adaptação, já que poucos atletas combinam a verticalidade de Allan com a disciplina defensiva exigida em um 3‑5‑2. O clube ainda tem opções internas e pode buscar empréstimos estratégicos para manter a competitividade na Libertadores e no Brasileirão.
Para o Manchester City, Allan chega como reforço versátil capaz de atuar tanto como ala quanto como extremo interno, encaixando-se na filosofia de Pep Guardiola de jogadores que contribuem em todas as fases do campo. O contrato inclui cláusulas de desempenho que podem elevar ainda mais o valor da negociação, enquanto o clube inglês aposta em sua adaptação ao ritmo da Premier League. A transferência também reforça a tendência de clubes europeus investirem em talentos sul‑americanos ainda em fase de consolidação.
O Palmeiras volta a campo na próxima rodada do Brasileirão contra o Santos, onde a ausência de Allan será sentida, mas também será testada a profundidade do elenco. Enquanto isso, a diretoria aguarda a formalização dos trâmites burocráticos da transferência e planeja o uso da receita para reforçar a defesa e ampliar a base de categorias. Os torcedores acompanharão de perto a estreia de Allan no City, que pode definir novos padrões de valorização para jovens brasileiros.
Fonte: ge.globo
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