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América-MG tem transfer ban: fair play financeiro bloqueia contratações

A decisão da ANRESF impede novas fichas até que o clube apresente um plano de reestruturação aprovado.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
América-MG tem transfer ban: fair play financeiro bloqueia contratações

O América-MG foi informado nesta quarta-feira de que a CBF aplicou um transfer ban preventivo e parcial, baseado nas regras de fair play financeiro. A medida, anunciada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), exige autorização prévia para qualquer nova contratação. O bloqueio chega em um momento crítico, com o clube praticamente rebaixado à Série C após a derrota por 0 a 2 para o São Bernardo na 28ª rodada.

Com 28 rodadas disputadas, o América-MG está na zona de descenso da Série B, distante da zona de classificação e com poucos jogos restantes para reverter a situação. Em 14 de agosto, o clube apresentou à CNRD um plano de pagamento aos credores, reconhecendo um “Evento de Insolvência” previsto no artigo 80 do regulamento da ANRESF. Essa iniciativa desencadeou a aplicação automática das sanções descritas no artigo 81, que incluem o bloqueio de registros de novos atletas.

O ban não é absoluto: cada negociação deve ser submetida à ANRESF, que emitirá um parecer técnico antes da formalização. Para que a contratação seja aprovada, o valor gasto com taxas de transferência e comissões de intermediação não pode ultrapassar o total líquido arrecadado com as vendas de jogadores no mesmo período. Além disso, a folha salarial mensal de atletas, técnicos e comissão técnica não pode exceder a média dos seis meses anteriores ao evento de insolvência, vedando qualquer aumento durante a vigência da medida.

A ANRESF comunicou a decisão à CBF e convidou o América-MG a negociar um Acordo de Reestruturação, que deve ser apresentado simultaneamente à aprovação do plano de credores na CNRD. O clube terá que entregar projeções financeiras para dois exercícios sociais, definir metas de saneamento e estabelecer um teto de gastos para o departamento de futebol. Uma Comissão Especial conduzirá as negociações, e o texto final será submetido ao plenário da agência para aprovação.

Do ponto de vista tático, a impossibilidade de reforçar a equipe limita drasticamente as opções do técnico Eduardo Barros, que já enfrenta um plantel desgastado e com poucas alternativas no mercado. A restrição também pressiona a diretoria a cortar custos, possivelmente reduzindo salários ou negociando rescisões, o que pode gerar descontentamento entre jogadores e comissão técnica. Sem novas contratações, o risco de permanecer na zona de descenso aumenta, comprometendo ainda mais a receita de bilheteria e patrocínios.

A medida reforça a postura da ANRESF de aplicar o fair play financeiro de forma rigorosa, estabelecendo um precedente para outros clubes em situação de inadimplência. Caso o América-MG consiga apresentar um acordo sólido, poderá recuperar a capacidade de contratar, mas o processo pode se estender por vários meses, mantendo o clube em um limbo financeiro. Enquanto isso, a pressão sobre a gestão aumenta, e torcedores exigem transparência e resultados concretos.

Nos próximos dias, o América-MG deverá submeter seu Acordo de Reestruturação e aguardar o parecer da ANRESF, ao mesmo tempo em que se prepara para o próximo confronto da Série B contra o Vila Nova. A evolução da negociação será decisiva para definir se o clube conseguirá reforçar o elenco antes da reta final da competição. Torcedores e analistas deverão observar os indicadores financeiros divulgados pela diretoria e a resposta da agência reguladora.

Fonte: ge.globo

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