Bélgica usa caso Balogun para bloquear reeleição de Infantino
RBFA declara que falta de transparência na FIFA impede apoio ao mandatário suíço.

A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) divulgou comunicado nesta segunda‑feira afirmando que não apoiará a candidatura de Gianni Infantino à reeleição como presidente da FIFA em março de 2027, apontando a falta de transparência na decisão sobre o cartão vermelho de Folarin Balogun e na proposta FIFA Forward Enterprise.
Infantino, à frente da entidade desde 2016, já venceu duas reeleições (2019 e 2023) e tem enfrentado críticas sobre a gestão de direitos comerciais e a governança dos torneios. A Bélgica, membro da UEFA e semifinalista da Copa do Mundo de 2018, viu‑se no centro de controvérsia ao eliminar os Estados Unidos na fase de mata‑mata da Copa de 2026, após a suspensão da expulsão de Balogun.
No comunicado, a presidente da RBFA, Pascale Van Damme, exigiu respostas claras sobre duas questões: a justificativa da reversão do cartão vermelho e os detalhes do projeto “FIFA Forward Enterprise”, que pretende criar uma empresa de capital privado para gerir competições, algo que a própria FIFA ainda não oficializou.
Balogun foi expulso contra a Bósnia durante a fase de grupos, mas o Comitê Disciplinar da FIFA retirou a punição, permitindo que o atacante americano atuasse contra a Bélgica. A decisão, tomada dois meses após o incidente, deixou a RBFA sem explicações e gerou dúvidas sobre a consistência dos processos disciplinares da entidade.
Politicamente, a posição belga pode inspirar outras federações europeias a questionar a candidatura de Infantino, sobretudo se o projeto Forward Enterprise avançar sem garantias de governança. A falta de apoio de um país com tradição de voto influente na UEFA pode enfraquecer a base de votos que o mandatário costuma contar.
Do ponto de vista institucional, o caso evidencia lacunas nos mecanismos de transparência da FIFA, que já foram alvo de investigações independentes. Uma resposta insatisfatória pode acelerar demandas por reformas nos procedimentos disciplinares e na estrutura de gestão financeira dos torneios, temas que já circulam nas discussões da UEFA.
A RBFA solicitou que o caso Balogun entre na pauta da reunião do Conselho da FIFA marcada para 15 de outubro, data que será observada de perto pelos candidatos. Enquanto Infantino prepara sua campanha, o próximo passo será observar se outras federações seguirão o exemplo belga e como a FIFA reagirá às exigências de clareza.
Fonte: ge.globo
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