Botafogo selam acordo com MLS e Ludogorets e avançam na recuperação judicial
Novos pactos com clubes estrangeiros aproximam o clube de fechar quase metade das dívidas que pesam sobre a SAF.

O Botafogo oficializou pactos com a Major League Soccer (MLS) e com o Ludogorets, clube búlgaro, enquanto avança na negociação com credores que representam quase metade do passivo da SAF. O movimento traz esperança de liquidez imediata para atletas e abre caminho para a reestruturação de dívidas que ultrapassam R$ 2,5 bilhões. O avanço tem implicações diretas na competitividade do time na Série A 2026.
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) Botafogo está em recuperação judicial desde a decisão do juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, que fixou como marco inicial a data de 21/04/2026, data do pedido cautelar. No pedido, a entidade apontou um passivo total superior a R$ 2,5 bilhões, dos quais cerca de R$ 400 milhões são dívidas tributárias. O processo corre na 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, e a homologação do plano ainda depende de aprovação judicial.
Entre os credores listados, a GDA LUMA aparece como a segunda maior, com dívida de US$ 37,5 milhões (R$ 186,8 milhões). A empresa, nova investidora da SAF, solicitou a retirada da lista, alegando que pretende assumir a posição acionária. Embora Gabriel de Alba ainda não tenha sido formalmente reconhecido como investidor, um acordo vinculante garante segurança jurídica para que o mexicano atue nos bastidores da reestruturação.
A SAF apresentou a primeira minuta do plano de recuperação em 10 de julho, detalhando a reestruturação de R$ 1,2 bilhão da dívida. Em 15 de agosto, a segunda versão foi entregue, modificando o conceito de “partes isentas” e excluindo a proteção anteriormente concedida à Eagle. O plano ainda aguarda aprovação dos credores e posterior homologação pelo juiz, etapas essenciais para que as condições de pagamento sejam efetivadas.
Se aprovado, atletas do elenco atual poderão receber o valor integral em curto prazo, enquanto credores de classes inferiores poderão ter descontos de até 95% sobre o montante devido. Os pagamentos terão carência e poderão se estender por até 20 anos, dependendo da classificação de cada credor. Essa estrutura visa preservar o caixa do clube, permitindo investimentos em contratações e manutenção da folha salarial.
Os acordos com a MLS e o Ludogorets têm dimensão estratégica: podem gerar empréstimos de jogadores, acesso a mercados de transferência e potenciais receitas de direitos de imagem. Para a nova diretoria liderada por Gabriel de Alba, esses laços internacionais são instrumentos de diversificação de receitas e de reforço da marca Botafogo fora do Brasil. A combinação de capital estrangeiro e um plano judicial robusto pode transformar a crise em oportunidade de crescimento sustentável.
O próximo passo é a votação dos credores, prevista para o final de setembro, seguida da decisão judicial que deve ser proferida ainda em 2026. Enquanto isso, o Botafogo entra em campo na Série A contra o Fluminense, partida que servirá de termômetro para a moral do elenco diante da reestruturação. Torcedores e investidores acompanharão de perto a execução dos pagamentos e a efetivação dos novos acordos internacionais.
Fonte: ge.globo
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