CBV adota teste SRY e coloca futuro de Tiffany Abreu em risco
A decisão da Confederação Brasileira de Voleibol segue a política do COI e pode excluir a única atleta trans da elite nacional.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) oficializou, nesta semana, a adoção da política do Comitê Olímpico Internacional (COI) que exige teste do gene SRY para validar a elegibilidade feminina, colocando em xeque a permanência de Tiffany Abreu, ponteira e oposta do Osasco, a única atleta trans em atividade na elite do voleibol nacional.
A medida tem origem no anúncio feito em março de 2026 pelo COI, sob a presidência de Kirsty Coventry, que definiu que a categoria feminina será restrita ao sexo biológico feminino, com verificação por meio de triagem genética para detectar a presença do gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino.
Cinco meses depois, a CBV divulgou que passará a aplicar os critérios da “Política de Proteção da Categoria Feminina do COI”, conforme trecho da nota oficial: “A CBV passa a seguir os critérios e fundamentos da Política… que limita a elegibilidade… exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino. Essa verificação é feita por testagem e triagem do gene SRY”.
Tiffany Abreu, que atua no Osasco desde 2022 e chegou ao voleibol feminino em 2017, tornou-se referência ao quebrar barreiras de gênero na modalidade; sua trajetória inclui passagem por clubes como Minas Tênis Clube e a conquista de títulos nacionais, consolidando-se como peça-chave no ataque da equipe.
A imposição do teste SRY gera um impasse jurídico e ético: enquanto a CBV argumenta alinhamento com normas internacionais, defensores dos direitos trans apontam violação de privacidade e exclusão injusta, potencialmente sujeita a contestação nos tribunais e na esfera da justiça desportiva.
Para o Osasco, a possível ausência de Abreu representa perda de experiência e produção ofensiva, já que a atleta tem média de 3,2 pontos por set na temporada atual; a equipe precisará reavaliar seu elenco e estratégias táticas antes do início da Superliga, que começa em outubro.
Nos próximos dias, a CBV deverá definir os protocolos de coleta e análise do teste SRY nas competições nacionais, enquanto Tiffany Abreu e seu assessoria jurídica preparam recurso para contestar a medida; o desenrolar do caso será decisivo para o futuro da inclusão trans no voleibol brasileiro.
Fonte: Gazeta Esportiva
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