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França rompe apoio a Infantino e acusa quebra de confiança

A decisão da FFF, acompanhada por quatro outras federações europeias, pode mudar o cenário da eleição de 2027 na FIFA.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
França rompe apoio a Infantino e acusa quebra de confiança

A Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou, nesta quinta‑feira, a retirada do apoio à reeleição de Gianni Infantino na FIFA, alegando que a confiança depositada no presidente foi violada. A decisão foi tomada por unanimidade no Comitê Executivo, presidido por Philippe Diallo, e vem acompanhada de críticas a projetos como a venda de ações das competições. O anúncio chega a poucos dias da eleição presidencial da FIFA, marcada para 18 de março de 2027 em Rabat, Marrocos, e já coloca em xeque a candidatura sem oposição de Infantino.

Infantino chegou ao comando da FIFA em fevereiro de 2016, sucedendo Joseph Blatter, e foi reeleito em 2019 sem concorrentes. Em 2023 venceu novamente, desta vez ainda sem adversários, consolidando um mandato de quase 12 anos. Até o momento, ele permanece como único candidato oficial para 2027, mas a perda de apoio de federações-chave pode forçar a abertura de um processo de candidatura mais amplo.

Além da França, Bélgica, Alemanha, Itália e Inglaterra já manifestaram oposição à candidatura de Infantino, formando um bloco europeu que questiona a direção da entidade. Diallo citou especificamente o plano de vender participações minoritárias da FIFA – a proposta da FIFA Forward Enterprise, que poderia gerar até US$ 4,2 bilhões – como incompatível com os valores das federações. Outras queixas incluem a suspensão do cartão vermelho de Folarin Balogun, caso que levantou dúvidas sobre a imparcialidade disciplinar, e investigações sobre possíveis ligações políticas entre Infantino e o ex‑presidente dos EUA, Donald Trump.

A ruptura de apoio tem repercussões imediatas no cálculo de votos necessário para a reeleição. Dos 211 membros da FIFA, a maioria simples (mais da metade) decide o vencedor; a perda de cinco federações europeias, que juntas representam cerca de 10% dos votos, reduz a margem de segurança de Infantino. Historicamente, quando federações poderosas se posicionam contra o mandatário, surgem candidaturas de oposição ou, ao menos, pressões para reformas estruturais.

Politicamente, a retirada de apoio pode servir de catalisador para que outros candidatos emergentes – ainda não anunciados oficialmente – ganhem visibilidade nas próximas semanas. A controvérsia sobre a venda de ações coloca em risco acordos comerciais com patrocinadores que temiam um modelo de governança mais corporativo. Se a proposta for mantida, a FIFA poderia transformar seus principais torneios em ativos negociáveis, alterando drasticamente o fluxo de receitas para confederações e clubes.

Do ponto de vista da comunidade futebolística, a crise de confiança alimenta um sentimento de descontentamento entre torcedores e dirigentes que temem a perda de autonomia nacional. A percepção de que decisões estratégicas são tomadas sem consulta amplia o risco de boicotes ou de novas demandas por maior transparência. Esse clima pode influenciar negociações de direitos de transmissão, patrocínios e até a escolha de sedes para futuros eventos.

Com a eleição marcada para 18 de março de 2027, o próximo passo será a convocação da Assembleia Geral da FIFA em Rabat, onde os delegados votarão. Observadores deverão acompanhar se outras federações seguirão o exemplo francês e se surgirá um candidato oficial que desafie Infantino. Para a FFF, o foco agora será consolidar sua posição dentro do bloco europeu e pressionar por reformas que restabeleçam a credibilidade da entidade mundial.

Fonte: ge.globo

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