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Clarisse Vallim repete ouro mundial e eleva judo brasileiro

A cadete de 15 anos, revelada pelo Samurais do Morro, conquista o bicampeonato na categoria até 70 kg em Guayaquil.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Clarisse Vallim repete ouro mundial e eleva judo brasileiro

A carioca Clarisse Vallim, de 15 anos, conquistou no sábado, 22 de agosto de 2026, o bicampeonato mundial cadete na categoria até 70 kg, ao derrotar a belga Valerie Tombou por ippon em Guayaquil, Equador. O feito consolida a sequência de títulos da atleta, que já havia vencido o mesmo campeonato em 2025, e coloca o Brasil como referência no judô juvenil internacional. A vitória não só reforça o currículo da jovem, como também evidencia a eficácia dos projetos sociais que alimentam o esporte de base no país.

Vallim foi revelada pelo projeto social Samurais do Morro, iniciativa que leva treinamento de alta performance a crianças da periferia do Rio de Janeiro. Integrante da equipe de judô do Flamengo, ela segue a tradição do clube de apoiar atletas olímpicos, como Rafaela Silva e Mayra Aguiar. Historicamente, o Brasil tem mantido presença constante nos pódios das categorias cadete e juvenil, mas o bicampeonato consecutivo de Clarisse marca a primeira sequência de ouro na categoria até 70 kg desde a era de Ketelyn Nunes, em 2012‑2013.

Na fase de oitavas de final, Clarisse impôs um ippon contra a americana Chrystal Monthe, encerrando a luta em menos de dois minutos. No quartas de final, enfrentou a francesa Norah Gosset, vencendo com dois waza‑aris e um yuko, demonstrando domínio técnico e controle de ritmo. A semifinal trouxe a ucraniana Diana Samoiliuk, que foi derrotada por ippon, preparando o caminho para a decisão contra a belga Tombou, concluída também por ippon, o que evidencia a capacidade da atleta de encerrar lutas de forma definitiva.

A sequência de ippons — três em sete lutas disputadas no torneio — revela a eficácia do estilo de Vallim, baseado em projeções de kuzushi (quebra de equilíbrio) e finalizações de osaekomi‑waza (controle). Embora a reportagem não detalhe as técnicas específicas, os relatos apontam para o uso de uchi‑mata e seoi‑nage, golpes típicos da categoria até 70 kg que favorecem a rapidez e a potência de judocas jovens. Essa variedade tática indica que a treinadora do Flamengo, Ana Lúcia Silva, tem trabalhado uma gama completa de ataques, preparando a atleta para diferentes estilos adversários.

Do ponto de vista da carreira, o bicampeonato projeta Clarisse como candidata ao futuro da equipe olímpica brasileira, que se prepara para Paris 2024 e, em seguida, para Los Angeles 2028. A visibilidade gerada pelo título pode acelerar sua inserção em programas de alta performance da CBJ, além de abrir portas para patrocínios individuais, algo ainda raro para atletas de base. Para o Flamengo, a conquista reforça a estratégia de diversificar seu portfólio esportivo, que tradicionalmente foca no futebol, mas tem investido em modalidades olímpicas como o judô.

Financeiramente, a vitória pode atrair recursos para o Samurais do Morro, que depende de apoio público e privado para manter suas academias. O sucesso de Clarisse serve como argumento de impacto social, facilitando a captação de fundos de empresas que buscam associar suas marcas a histórias de superação e inclusão. Além disso, o Flamengo tem potencial para negociar acordos de licenciamento de imagem, ampliando a exposição da atleta em campanhas de responsabilidade social e esportiva.

O próximo passo de Clarisse será a participação no Campeonato Mundial Júnior, previsto para dezembro de 2026, onde competirá contra atletas de até 21 anos. No calendário nacional, ela deve defender o Flamengo no Campeonato Brasileiro de Judô Sub‑17, marcado para fevereiro de 2027, e ainda será convocada para a seleção brasileira cadete nas próximas etapas de classificação para o Pan‑Americano de 2027. Observadores apontam que seu desempenho nas próximas competições será crucial para confirmar se o bicampeonato foi um ponto de partida ou o ápice de uma trajetória rumo ao pódio olímpico.

Fonte: ge.globo

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