CONMEBOL tenta frear hegemonia brasileira na Libertadores, alerta ex-árbitro
Alfredo Loebeling aponta que a escolha de árbitros pode ser usada para equilibrar a competição diante de sete títulos consecutivos do Brasil.

Alfredo Loebeling, ex‑árbitro da CONMEBOL, afirmou que a entidade sul‑americana não aprova a sequência de títulos de clubes brasileiros na Libertadores e que a designação de árbitros pode ser usada para equilibrar a competição. A declaração, feita ao programa Mesa Redonda da Gazeta Esportiva, ganha destaque porque o Brasil acumula sete edições consecutivas, de 2019 a 2025. O que está em jogo é a credibilidade da competição e a percepção de imparcialidade nas decisões dentro de campo.
A hegemonia começou com o Flamengo, campeão sobre o River Plate em Lima, em 2019, seguida pelos triunfos do Palmeiras em 2020 e 2021, do Flamengo novamente em 2022, do Fluminense em 2023, do Botafogo em 2024 e do Flamengo em 2025. Antes de 2019, a Libertadores era disputada por clubes de Argentina, Uruguay e Chile, sem um domínio tão prolongado. Esse histórico recente eleva a pressão sobre a CONMEBOL para garantir que a competição continue atraente para todas as federações membros.
Loebeling explicou que, embora não haja interferência direta nos resultados, a escolha de árbitros pode favorecer ou prejudicar equipes: "se eu quero favorecer uma equipe mais do que a outra eu coloco um árbitro caseiro em casa, ou um mais rigoroso fora". Ele citou sua própria experiência em partidas do Boca Juniors, lembrando que fez cinco jogos contra o clube, quatro fora da Argentina, porque "não me interessava fazer jogo do Boca na Argentina". O ex‑árbitro usou ainda o Twitter da Libertadores para reforçar seu ponto, compartilhando a mensagem em 12 de setembro de 2026.
A percepção de que a arbitragem pode ser manipulada afeta a confiança dos torcedores e patrocinadores, que exigem transparência para proteger os investimentos em direitos de transmissão. A CONMEBOL, que negocia bilhões em contratos televisivos, tem interesse em manter a imagem de competição justa para preservar a audiência nas principais emissoras sul‑americanas. Se a suspeita se consolidar, pode haver pressão institucional para revisar os critérios de nomeação de árbitros nas fases decisivas.
Do ponto de vista tático, a escolha de árbitros mais rigorosos em jogos fora de casa pode limitar a agressividade dos clubes brasileiros, que costumam impor um estilo físico e de alta pressão. Por outro lado, um árbitro mais permissivo em partidas domésticas favorece a manutenção da posse de bola e a exploração de jogadas de velocidade, aspectos que têm caracterizado os recentes campeões. Essa variação pode influenciar diretamente o desempenho nas oitavas de final, onde equipes brasileiras já enfrentam rivais argentinos e uruguaios que buscam romper o ciclo vitorioso.
A próxima fase da Libertadores, as oitavas de final, começa ainda em setembro de 2026, com clubes brasileiros como Flamengo, Palmeiras e Botafogo já classificados. Os confrontos serão decisivos para definir se a hegemonia continuará ou se algum adversário sul‑americano conseguirá quebrar a sequência. Observadores já apontam que a designação de árbitros para esses jogos será analisada minuciosamente por analistas e pela imprensa especializada.
Para os torcedores, o que deve ser acompanhado nos próximos meses são as nomeações de árbitros, as respostas oficiais da CONMEBOL ao questionamento de Loebeling e eventuais mudanças nos protocolos de arbitragem. Caso a entidade adote medidas de maior transparência, pode restaurar a confiança e garantir que a Libertadores continue sendo o principal palco do futebol sul‑americano. Caso contrário, a sombra de suspeita poderá comprometer a imagem da competição e abrir espaço para reformas estruturais exigidas pelos clubes e federações.
Fonte: Gazeta Esportiva
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