Cruzeiro entra na Justiça contra agente que quer vender Rhuan Gabriel ao Palmeiras
Clube mineiro reage a declarações de Léo Moral e ameaça ação criminal por supostas informações falsas.

O Cruzeiro oficializou nesta sexta-feira (4) a intenção de acionar a Justiça contra o empresário Léo Moral, que nas redes sociais exigiu a liberação do meia Rhuan Gabriel para o Palmeiras, alegando que a proposta seria vantajosa para ambas as partes. A decisão chega em meio a uma fase delicada para o clube, que busca preservar sua reputação institucional e evitar precedentes que possam comprometer futuras negociações. Na nota divulgada, o clube classificou as declarações do agente como "infundadas" e "fragmentárias", prometendo ainda buscar responsabilização criminal por eventuais imputações falsas.
Rhuan Gabriel, 20 anos, desponta como um dos principais talentos da base cruzeirense, acumulando 23 gols e cinco assistências em 27 partidas com o sub‑20 na temporada atual. O meia renovou contrato em setembro de 2025, com vigência até o fim de 2028, e já vestiu a camisa da Seleção Brasileira no Mundial Sub‑20 de 2025, reforçando o perfil de jogador com alto potencial de valorização. Seu desempenho tem sido monitorado por clubes de elite, mas até o momento o Cruzeiro ainda não recebeu propostas formais que correspondam ao seu preço de mercado.
Em vídeo publicado no último sábado, Léo Moral afirmou que o Palmeiras estaria disposto a contratar Rhuan por empréstimo, cedendo 70% dos direitos econômicos por 5 milhões de euros (cerca de R$ 30 milhões), mantendo 30% para uma eventual venda futura. O agente ainda sugeriu que um futuro negócio poderia alcançar 50 milhões de euros, o que geraria um retorno de 15 milhões de euros ao Cruzeiro, além dos 5 milhões iniciais. Nenhuma fonte oficial do Palmeiras confirmou a existência de proposta, e o clube paulista se pronunciou negando qualquer negociação em andamento.
A resposta institucional do Cruzeiro foi contundente: além de contestar publicamente as informações, o clube destacou que as alegações “não correspondem à realidade dos fatos” e “prejudicam a reputação da instituição e de seus colaboradores”. O clube ainda informou que avaliará a possibilidade de ação criminal, caso se comprove a propagação deliberada de informações falsas ou ofensivas. Essa postura reflete a crescente preocupação das diretorias brasileiras em coibir declarações de agentes que possam interferir em processos de negociação ou desestabilizar o ambiente interno.
O episódio ocorre quando o Cruzeiro enfrenta um momento de instabilidade competitiva, com eliminações recentes na Libertadores e na Copa do Brasil sob o comando de Artur Jorge. Financeiramente, o clube ainda depende de receitas provenientes da venda de jovens promessas para equilibrar o orçamento, o que torna qualquer negociação de alto valor estratégica. A disputa envolvendo Rhuan Gabriel expõe tensões entre a necessidade de capitalizar ativos e a defesa de uma política de desenvolvimento que não sacrifique a formação de jogadores.
Do ponto de vista tático, a saída de Rhuan poderia deixar uma lacuna criativa no meio‑campo cruzeirense, sobretudo considerando a falta de alternativas consolidadas na categoria sub‑20. Já do ponto de vista mercadológico, um litígio aberto pode gerar desconfiança entre compradores externos, que podem temer cláusulas contratuais mais rígidas ou disputas judiciais prolongadas. Por outro lado, a firmeza do Cruzeiro em defender seus direitos pode ser vista como um sinal de seriedade, reforçando sua posição nas negociações futuras, inclusive com rivais diretos como o Palmeiras.
Nos próximos dias, o clube deverá formalizar a ação judicial e, possivelmente, solicitar medida cautelar para impedir a divulgação de novas declarações do agente. Enquanto isso, o Cruzeiro tem a partida contra o Atlético Mineiro pela Série B marcada para o próximo fim de semana, onde a presença de Rhuan Gabriel será decisiva para a estratégia de Artur Jorge. Torcedores e analistas deverão observar se o impasse jurídico repercutirá no desempenho da equipe e nas próximas tratativas de mercado.
Fonte: ge.globo
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