Dínamo Moscou cancela contratações e acusa Flamengo e Botafogo de má-fé
CEO Pavel Pivovarov garante que a desistência foi por risco médico, enquanto clubes brasileiros avaliam ação na FIFA.

O Dínamo Moscou anunciou, nesta quinta‑feira (03/09/2026), a desistência das contratações do atacante equatoriano Plata e do brasileiro Matheus Martins, alegando que a etapa médica essencial não foi concluída; o CEO Pavel Pivovarov ainda declarou que o clube também se considera vítima da situação.
Plata, negociado por cerca de 10 milhões de euros (R$ 60,1 mi), havia sido apresentado como reforço para a campanha da Liga Europa, enquanto Matheus Martins, avaliado em 7 milhões de euros (R$ 42,4 mi), seria a nova arma ofensiva do Botafogo na Série A e na Copa do Brasil; ambos chegaram ao Moscou na última semana e foram recebidos como titulares antes da reversão.
Pivovarov explicou que, ao analisar os relatórios médicos, identificou riscos que inviabilizaram a assinatura dos contratos de longo prazo, afirmando: “A etapa mais essencial não foi concluída”; poucos minutos depois, o clube russo oficializou a contratação do atacante chileno Maxi Gutiérrez, de 22 anos, vindo do Independiente, alimentando suspeitas de que os brasileiros teriam sido usados para reduzir o valor da nova aquisição.
Flamengo e Botafogo contestaram a versão russa, negando qualquer problema clínico nos jogadores; o dirigente rubro‑negro qualificou a postura do Dínamo de “amadorismo e irresponsabilidade” e anunciou a intenção de buscar reparação junto à FIFA, enquanto o Botafogo, ainda sem pronunciamento oficial, estudaria ação judicial semelhante.
Do ponto de vista tático, a volta de Plata ao Flamengo chega em momento decisivo, com o clube se preparando para o mata‑mata da Libertadores, onde a falta de um centroavante de referência poderia comprometer a produção ofensiva; já o Botafogo perde Matheus Martins antes do confronto contra o Palmeiras, o que reduz suas opções de finalização na reta final da Copa do Brasil. Financeiramente, os dois clubes brasileiros ficam sem o adiantamento esperado, mas ainda preservam o valor total da transferência, enquanto o Dínamo evita um gasto que considerou arriscado, ainda que arrisque sanções disciplinares.
O caso reacende o debate sobre a rigidez dos exames médicos em transferências internacionais, sobretudo entre a Europa Oriental e a América do Sul, onde cláusulas de risco costumam ser acionadas; a percepção de que clubes podem usar falhas médicas como moeda de barganha pode gerar maior cautela nas próximas negociações sul‑americanas, sobretudo em um cenário de sanções econômicas que já pressiona os orçamentos russos.
Nos próximos dias, Flamengo deve reintegrar Plata ao elenco para o próximo duelo da Libertadores, enquanto Botafogo contará com Matheus Martins na partida contra o Palmeiras; o Dínamo, por sua vez, concentrará esforços em Maxi Gutiérrez e ainda pode formalizar queixa contra as federações brasileiras caso entenda que houve manipulação de valores. O desenrolar da disputa judicial será acompanhado de perto pelos mercados, que buscam entender se a prática de “cancelamento por risco” ganhará novos parâmetros regulatórios.
Fonte: ge.globo
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