Igor Paixão permanece no Marseille após disputa interna
A decisão de Bruno Genesio de manter o atacante revela tensões entre técnico e diretoria e redefine o futuro ofensivo do clube.

Igor Paixão permaneceu no Olympique de Marseille, encerrando uma das negociações mais turbulentas da janela de transferências que quase o enviou ao Sunderland. A decisão, tomada nos últimos minutos antes do encerramento do mercado em 31 de agosto, tem implicações imediatas para o ataque do clube francês e evidencia um embate entre a comissão técnica e a alta administração. O técnico Bruno Genesio, que lidera o time, foi o principal articulador da permanência.
Marseille chegou ao fim da primeira fase da Ligue 1 com um registro irregular: uma vitória e duas derrotas, enquanto perdeu duas das principais referências ofensivas — Mason Greenwood, vendido ao Fenerbahçe, e Pierre‑Emerick Aubameyang, que se transferiu para o Deportivo Alavés. O clube ainda conta com a contratação recorde de Paixão, feita há um ano por cerca de 30 milhões de euros, a maior despesa da história do Olympique. Sem esses nomes, a equipe carece de experiência e poder de finalização dentro da área.
Nos bastidores, Genesio e o diretor esportivo Grégory Lorenzi defenderam a manutenção do atacante de 26 anos, enquanto o proprietário americano Frank McCourt e o presidente recém‑eleito Stéphane Richard pressionavam pela venda. Richard chegou a relatar à RMC que a divergência chegou ao ponto de quase romper a relação com o técnico, que chegou a considerar a demissão. Em entrevista coletiva, Genesio declarou: "Espero que ele não tenha ficado chateado comigo" ao referir‑se a Paixão.
Segundo o jornal L'Equipe, Paixão nunca tentou forçar a saída e, embora almeje a Premier League, recebeu a decisão com um sorriso e sem ressentimentos. O atacante não registrou reclamações públicas e mostrou-se pronto a continuar contribuindo na Ligue 1. Essa postura contrasta com a pressão da diretoria, que via na venda uma oportunidade de recuperar parte do investimento de 30 milhões de euros.
Taticamente, Genesio enfatizou que o diferencial de Paixão está dentro da área, onde o brasileiro tem capacidade de transformar oportunidades em gols decisivos. Com poucos jogadores experientes no setor ofensivo, a permanência de Paixão oferece ao técnico uma peça central para implementar seu estilo de jogo, que combina movimentação rápida e finalização precisa. Financeiramente, manter o atleta preserva a possibilidade de revenda futura por valor superior ao pago, o que alivia a necessidade de equilibrar as contas do clube.
Entretanto, a disputa interna pode gerar consequências de longo prazo para a estabilidade do comando técnico. Se a relação entre Genesio e a diretoria permanecer tensa, o risco de novas saídas ou de um ambiente de incerteza aumenta, potencialmente afetando a moral do elenco. A capacidade de Genesio em gerir essa pressão será crucial para evitar que a situação se traduza em mais perdas de talentos.
Marseille volta a campo na próxima sexta‑feira, 11 de setembro, e Paixão deve iniciar a partida como titular, oferecendo ao técnico a oportunidade de validar sua escolha. Os observadores deverão acompanhar a quantidade de minutos concedidos ao atacante, sua eficácia dentro da área e qualquer sinal de nova movimentação no mercado. O desenrolar desse confronto será decisivo para definir se a permanência de Paixão será vista como acerto estratégico ou ponto de partida para novas controvérsias.
Fonte: Trivela
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