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Infantino enfrenta nova denúncia da FIFA por vínculo com Trump

A ONG FairSquare acusa o presidente da FIFA de violar a neutralidade política e pede sua inelegibilidade para 2027.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Infantino enfrenta nova denúncia da FIFA por vínculo com Trump

Gianni Infantino, presidente da FIFA, recebeu uma nova denúncia na Comissão de Ética da entidade, acusando-o de violar regras de neutralidade política ao manter relações próximas com o ex‑presidente dos EUA, Donald Trump. A denúncia, apresentada pela ONG britânica FairSquare, cita oito episódios ocorridos nos últimos dois anos, incluindo a entrega do Prêmio da Paz da FIFA a Trump em dezembro de 2025. O caso reacende questionamentos sobre a governança da FIFA enquanto Infantino se prepara para concorrer à reeleição em 2027.

A FairSquare já havia levado ao Comitê de Ética do COI uma reclamação semelhante, rejeitada em julho, e agora traz à tona o mesmo conjunto de fatos para a FIFA. Entre os episódios listados estão encontros privados, intercâmbios de mensagens e a participação de Infantino em eventos patrocinados por empresas ligadas ao ex‑presidente americano. A ONG argumenta que tais atos configuram uso indevido da autoridade do cargo e violam a política de neutralidade política da FIFA, que proíbe que dirigentes utilizem a marca da entidade para fins partidários ou pessoais.

A denúncia surge num momento crítico para a FIFA: Infantino confirmou em março a intenção de concorrer à reeleição em 2027 e, até agora, permanece como único candidato declarado. Contudo, a Federação Belga, representante do país natal do dirigente, já declarou que não apoiará sua candidatura sem respostas claras sobre questões de transparência e governança. Esse posicionamento pode enfraquecer a base de apoio tradicional de Infantino dentro do Conselho da FIFA, que depende de votos de federações europeias.

Além da pressão institucional, a controvérsia tem repercussão financeira. A FIFA está negociando contratos multimilionários para a Copa do Mundo de 2030, e investidores globais observam atentamente a integridade da liderança. Qualquer sanção ou afastamento de Infantino poderia gerar instabilidade nas negociações, afetando receitas previstas de mais de US$ 6 bilhões provenientes de direitos de transmissão e patrocínio. O risco de perda de confiança também pode impactar o mercado de patrocínios, que tem buscado associar a marca FIFA a valores de inclusão e imparcialidade.

Do ponto de vista tático, a denúncia pode mudar a dinâmica da campanha eleitoral interna. Candidatos potenciais, ainda que não anunciados, podem usar o caso como argumento para defender reformas estruturais, como a criação de um órgão independente de compliance. A própria FairSquare pede que Infantino seja considerado inelegível, medida que, se adotada, abriria espaço para uma disputa mais ampla e possivelmente mais transparente. A pressão de federações como a Bélgica indica que a neutralidade política está se tornando um critério decisivo para o apoio ao mandatário.

Para os torcedores e para a comunidade do futebol global, o caso representa mais um capítulo da crise de credibilidade que assola a FIFA desde o escândalo de corrupção de 2015. A percepção de que a entidade pode ser usada como ferramenta de influência política mina a confiança dos fãs, que demandam uma organização livre de interesses externos. A forma como a Comissão de Ética lidará com a denúncia será observada como um termômetro da capacidade da FIFA de se auto‑regular e restaurar sua reputação.

O próximo passo será a deliberação da Comissão de Ética, prevista para as próximas semanas, seguida de um relatório que será apresentado ao Conselho da FIFA antes da Assembleia Geral de 2026. Enquanto isso, a federação belga manterá sua posição de exigência de esclarecimentos, e outras federações europeias podem seguir o exemplo. O que se observará nos próximos meses são os desdobramentos legais e políticos que definirão se Infantino seguirá como candidato ou se a FIFA abrirá caminho para uma nova liderança.

Fonte: ge.globo

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