Infantino propõe Mundial Sub‑15 com 211 federações para 2026
A FIFA quer reunir mais de 4 mil jovens em um torneio inédita, mas o plano chega em meio a forte resistência política.

Em vídeo divulgado no domingo, 24 de agosto de 2026, Gianni Infantino anunciou que a FIFA estudará a realização ainda este ano de um Mundial Sub‑15 aberto a todas as 211 federações-membro. O anúncio, feito em Zurique, não trouxe detalhes sobre sede, calendário ou formato, mas já indicou que o torneio poderia reunir mais de quatro mil jovens atletas. A proposta surge como tentativa de criar um evento de escala global que, segundo o presidente, serviria de celebração do futebol e fonte de novas receitas para a entidade.
A iniciativa representa uma ruptura em relação aos tradicionais torneios de base, como as Copas do Mundo Sub‑17 e Sub‑20, que contam com até 24 equipes e já são palco de olhares de olheiros e patrocinadores. Até o momento, a FIFA nunca organizou uma competição juvenil com participação universal; o maior número de seleções em um torneio oficial foi nas categorias femininas, com 32 equipes. A proposta de Infantino, portanto, amplia drasticamente a logística, exigindo um modelo de grupos, fases eliminatórias e deslocamento que ainda não foi esboçado.
O plano foi apresentado em meio a um clima de intensa pressão política sobre Infantino. Desde que propôs a criação de uma empresa privada para gerir direitos comerciais da FIFA – ideia que provocou forte oposição da UEFA e de outras confederações – o presidente tem enfrentado pedidos de revisão de sua liderança. Enquanto a UEFA declarou ter perdido a confiança no dirigente, a CONMEBOL manteve apoio público, ressaltando a necessidade de investimentos no desenvolvimento do futebol global.
Infantino vinculou o projeto à necessidade de ampliar as receitas da FIFA, apontando patrocinadores, emissoras e outras fontes como potenciais financiadoras. A lógica seria transformar o torneio em um espetáculo comercial, similar ao que ocorre nas categorias de base, mas em escala muito maior. Se bem-sucedido, o evento poderia gerar recursos adicionais para programas de formação, infraestrutura e apoio a federações menos desenvolvidas, algo que tem sido um ponto fraco nas políticas de desenvolvimento da entidade.
Entretanto, a viabilidade logística levanta dúvidas. Organizar partidas para mais de 4 mil atletas exigiria múltiplas cidades-sede, estádios de diferentes categorias e um calendário que não conflite com as competições de clubes e seleções seniores. Além disso, os custos de viagem e estadia para federações de menor poder econômico podem gerar desigualdades, reforçando críticas de que a FIFA estaria priorizando receita sobre desenvolvimento genuíno.
Do ponto de vista tático e de carreira, a competição poderia acelerar a exposição de talentos jovens, oferecendo um palco global antes mesmo das categorias Sub‑17. Scouts de clubes europeus já monitoram os torneios de base; um Mundial Sub‑15 com cobertura mundial poderia intensificar esse processo, influenciando decisões de contratações e academias. Contudo, a pressão precoce sobre adolescentes também pode trazer riscos psicológicos, tema já debatido em debates sobre a profissionalização precoce no futebol.
Nos próximos dias, a FIFA deverá abrir consultas formais com as confederações e federações para definir formato, sede e cronograma. Observadores do mercado esportivo esperam que a entidade apresente um plano detalhado antes da próxima reunião do Conselho da FIFA, prevista para novembro de 2026. O desenrolar do projeto será decisivo para medir se a iniciativa se consolidará como um novo pilar de desenvolvimento ou se permanecerá como promessa política em meio a controvérsias.
Fonte: ge.globo
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