Inter afunda no Z4 e perde Copa: crise dentro e fora do Beira-Rio
Eliminação para o Santos e dívida bilionária colocam o clube em rota de colisão com a queda.

O Internacional foi derrotado por 3 a 2 diante do Santos na 26ª rodada do Brasileirão, no Beira‑Rio, e saiu da Copa do Brasil ao ser eliminado pelo rival, consolidando a presença do clube na zona de rebaixamento e iniciando um dos períodos mais críticos da sua história recente.
A temporada 2026 chegou ao clube já marcado por uma recuperação milagrosa em 2025, quando escapou da queda nos últimos minutos da competição. Contudo, a dívida acumulada chega a cerca de R$ 1,2 bilhão, o presidente Alessandro Barcellos – o mandatário mais longevo da história colorada, com seis anos no cargo – não conquistou títulos relevantes além do Gauchão e deixará o comando em dezembro, quando se abrirão as eleições para a diretoria.
A crise financeira se refletiu diretamente no mercado de contratações. O executivo Fabinho Soldado trouxe jogadores como o zagueiro Félix Torres e o goleiro Matheus Cunha, que não corresponderam às expectativas e aumentaram a folha salarial sem gerar retorno esportivo. Paralelamente, a prospecção de atletas e as categorias de base permanecem estagnadas, sem revelar nomes capazes de gerar receitas de venda.
No campo, o técnico uruguaio Paulo Pezzolano, que ainda mantinha a confiança da diretoria, tem sido alvo de críticas por escalações incompreensíveis, como a volta de Tiago Maia ao time titular em partidas decisivas. O estilo de jogo carece de identidade, e a falta de alternativas táticas deixa o elenco vulnerável a erros recorrentes, como a derrota para o Santos que afundou o clube no Z4.
A situação extrapola o gramado: a torcida, descontente, tentou invadir a área do Beira‑Rio e acabou em confronto com a polícia, demonstrando a crescente tensão entre fãs e diretoria. Sem patrocinador master há quase oito meses, o clube luta para fechar acordos comerciais, enquanto credores exigem garantias de pagamento, ampliando o risco de restrições judiciais que podem impedir novas contratações.
Do ponto de vista tático‑financeiro, a permanência de Pezzolano indica que a diretoria ainda busca estabilidade, mas a falta de recursos para reforçar o elenco limita qualquer mudança de rumo. Caso o Inter não conseguir sair da zona de rebaixamento nas próximas rodadas, a perda de receitas televisivas e de bilheteria pode aprofundar ainda mais o déficit, dificultando a negociação de patrocínios e a renovação de contratos.
O próximo desafio do Inter será a 27ª rodada do Brasileirão, onde precisará somar pontos para iniciar a fuga do Z4. Enquanto isso, a disputa interna para a sucessão de Barcellos promete redefinir a gestão financeira e esportiva do clube. Observadores recomendam atenção ao desempenho da base, à possível contratação de reforços de baixo custo e à estratégia de negociação com credores, fatores decisivos para evitar o rebaixamento e iniciar a reconstrução.
Fonte: ge.globo
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