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Ponte Preta afunda na Série B e busca SAF para sobreviver

Depois de conquistar a Série C em 2025, o clube de Campinas enfrenta nova crise financeira e risco de rebaixamento.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Ponte Preta afunda na Série B e busca SAF para sobreviver

A Ponte Preta, que celebrou o primeiro título nacional da sua história ao vencer a Série C em 2025, agora encabeça a lanterna da Série B com risco iminente de novo descenso à terceira divisão. O clube acumula apenas 10 pontos em 25 rodadas, um desempenho que coloca em xeque a esperança de estabilização financeira gerada pelo acesso. A situação ganha urgência porque, se não vencer o São Bernardo neste domingo (6), a equipe completará 20 partidas sem vitória, recorde negativo desde a era dos pontos corridos.

O triunfo de 2025 foi visto como ponto de partida para uma reviravolta, mas a crise de caixa já se arrasta desde 2017, quando começaram os atrasos de salários e direitos de imagem. A dívida acumulada chegou a R$ 380 milhões, segundo o vice‑presidente de futebol Marco Antonio Eberlin, e o passivo total da gestão anterior ultrapassa R$ 400 milhões. Esse passivo, aliado a um déficit mensal de R$ 2,8 milhões, impede que o clube invista em reforços ou regularize os pagamentos aos atletas.

Na Série B, a Ponte soma apenas três pontos nos últimos três empates – contra Botafogo‑SP, Athletic e Náutico – enquanto registra 16 derrotas consecutivas. O último revés, diante do América‑MG, foi jogado com a base, após a greve dos profissionais que deixaram o campo em protesto contra salários atrasados há mais de seis meses. O técnico Gilson, em sua estreia, viu a equipe perder por 2 a 0 no segundo tempo, igualando a sequência negativa do ABC em 2015.

A paralisação foi liderada pelo advogado Filipe Rino, representante dos jogadores, que revelou que atletas que permaneceram desde o início da temporada trabalharam oito meses recebendo apenas dois meses de salário, em parcelas fragmentadas. Rino afirma que a greve deixou de ser apenas financeira e passou a refletir abandono da diretoria, que “deu de ombros” à situação. A decisão de retornar aos treinos, ainda que sem pagamento, foi tomada para evitar danos maiores à instituição e à torcida.

A crise desencadeou ainda uma debandada: Léo Gomes e Daniel Baianinho já buscaram a rescisão indireta de contrato na justiça desportiva, e o empréstimo de Baianinho foi encerrado por decisão judicial. O presidente Luiz Antônio Alves Torrano reconheceu publicamente que a Ponte está errada, mas não pode responsabilizar os atletas, enquanto Marco Eberlin defende o direito à greve como em qualquer outra profissão. Essa ruptura entre diretoria e elenco compromete a competitividade e a moral do grupo.

Para conter o rombo, a diretoria propõe transformar o departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), sem vender a totalidade do clube. O plano prevê R$ 1 bilhão em investimentos: R$ 300 milhões para quitar dívidas, R$ 300 milhões para o futebol e categorias de base ao longo de dez anos, e R$ 400 milhões para modernizar o Moisés Lucarelli e o centro de treinamento. Ainda que a mudança precise de aprovação do Conselho em 19 de setembro, não há garantia de captação de investidores ou contrato definitivo.

Se a SAF for aprovada, o clube poderá equilibrar as contas e atrair patrocinadores, mas a falta de recursos imediatos pode acelerar o rebaixamento, o que agravaria ainda mais a perda de receitas de transmissão e bilheteria. Para a torcida, a perspectiva de ver a Ponte Preta novamente na Série C representa um golpe cultural, já que o clube tem 126 anos de história e uma base apaixonada que tem sofrido com a queda de desempenho e a instabilidade institucional.

O próximo passo imediato será o confronto contra o São Bernardo, às 18h30, no Moisés Lucarelli, onde a equipe ainda depende de jogadores da base para evitar a derrota por WO. Simultaneamente, o Conselho da Ponte Preta se reunirá no dia 19 para votar a alteração estatutária necessária à criação da SAF. Os torcedores e analistas deverão observar se a medida trará recursos concretos ou apenas adiará o inevitável declínio.

Fonte: Folha Esporte

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