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Jordy Alcivar pode ser a chave de Del Valle contra o Flamengo

Volante experiente será peça central na estratégia de altitude e pressão.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Jordy Alcivar pode ser a chave de Del Valle contra o Flamengo

Nas quartas de final da Libertadores 2024, o Independiente del Valle encara o atual campeão, o Flamengo, e coloca o volante Jordy Alcivar como ponto de virada. O técnico de Del Valle espera que o jogador, ainda reserva na seleção equatoriana, lidere a pressão e a transição em um duelo que remete ao clássico David contra Golias. O sucesso da estratégia pode definir se o clube de Quito avança ou vê seu sonho continental apagado.

Fundado em 2004 a partir da compra de um modesto clube nos arredores de Quito, o Independiente del Valle construiu um modelo de produção e venda de atletas que hoje abastece quase toda a seleção do Equador. Duas vezes campeão da Série A (2021 e 2022) e duas vezes vencedor da Copa Sul-Americana (2019 e 2022), o clube já chegou à final da Libertadores em 2016, perdendo para o Atlético Nacional. Na temporada 2024, lidera confortavelmente o campeonato nacional, demonstrando que o projeto de desenvolvimento está em plena forma.

Entretanto, a janela de transferências tirou peças-chave: o meia Justin Lerma, titular desde os 16 anos, assinou contrato com o Borussia Dortmund; o atacante Darwin Guagua foi vendido ao Brentford, com empréstimo ao Mérida; e a revelação Juan Riquelme foi para o Sunderland. Essas saídas deixaram lacunas no meio‑campo e no ataque, mas também forçaram o clube a valorizar jogadores com experiência, como o goleiro Aldair Quintana, o centroavante Carlos González e, sobretudo, o volante Jordy Alcivar, que já vestiu a camisa da seleção principal contra a Curaçao, embora tenha sido substituído no intervalo.

A tática de Del Valle parte da altitude de Quito (2.800 metros) como trunfo: o time pretende abrir o campo, fazer a bola correr e esticar o jogo para obrigar o Flamengo a cobrir mais distância. Nesse esquema, Alcivar assume a função de primeiro homem à frente dos zagueiros, distribuindo passes curtos, pressionando a saída de bola adversária e criando linhas de bloqueio que dificultam as transições rápidas do rival. Sua capacidade de manter a posse em áreas estreitas e de iniciar contra‑ataques será crucial para transformar a altitude em vantagem tática.

Do outro lado, o Flamengo chega com um elenco profundo, sustentado por um orçamento que supera em muito o de Del Valle, e com opções para defender tanto com bloqueio estático quanto com a bola. A presença de jogadores como Gabriel Barbosa, Arrascaeta e Bruno Henrique permite ao clube alternar entre posse dominante e transição veloz, exigindo que o volante equatoriano consiga neutralizar esses movimentos. Se Alcivar conseguir impedir as infiltrações pelos flancos e forçar o adversário a jogar mais recuado, o Flamengo perderá parte da sua eficácia ofensiva.

Abel Ferreira, técnico do Flamengo, já enfrentou a altitude nas semifinais de 2023 contra a LDU, onde errou a escalação e sofreu a reação do Palmeiras. Agora, com experiência acumulada, ele tem maior consciência das exigências físicas e táticas impostas por Quito. A expectativa é que ajuste a postura defensiva, talvez adotando um bloqueio mais alto, mas ainda mantendo a capacidade de sair rápido ao perder a bola – um dilema que coloca Alcivar no centro da batalha.

O segundo jogo da série será disputado no Maracanã, onde a altitude não será mais fator, mas a fadiga acumulada pode pesar sobre o Flamengo. Para Del Valle, observar a postura de Alcivar nos primeiros 30 minutos será essencial: se ele conseguir impor o ritmo e limitar as investidas, o time terá margem para explorar contra‑ataques. O que o torcedor equatoriano deve acompanhar são as marcações de Alcivar nos corredores laterais e sua participação nas jogadas de bola parada, que podem ser decisivas para um possível upset.

Fonte: Trivela

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