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Meio-campo é o ponto de partida da renovação de Ancelotti na Seleção

Análise de Leonardo Miranda liga as quedas de 2014, 2018 e 2022 à falta de um camisa 8 capaz de organizar o jogo brasileiro.

Redação Voz do Gol••2 min de leitura
Meio-campo é o ponto de partida da renovação de Ancelotti na Seleção

A renovação da seleção brasileira sob Carlo Ancelotti precisa começar e terminar pelo meio-campo, defende o analista Leonardo Miranda, formado em análise de desempenho pela CBF, em coluna publicada nesta sexta-feira (25). O texto saiu no dia do amistoso contra a Austrália, em Townsville, primeiro compromisso do ciclo aberto depois da eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.

Para o novo ciclo, Ancelotti convocou nove jogadores que estiveram no Mundial, nove estreantes e outros oito que chegaram a brigar por vaga na Copa. O próprio treinador já apontou a carência do setor ao definir como missão "encontrar meio-campistas" e ao anunciar o fim do ciclo de veteranos. A queda na Copa veio com a derrota por 2 a 1 para a Noruega, em 5 de julho.

O colunista lembra que o Brasil sempre teve referências na função de camisa 8: Didi organizava o time à frente de Zito, Gérson cumpriu papel parecido em 1970, Falcão pensava o jogo em 1982 e Dunga ditava o ritmo em 1994. Segundo a análise, a mudança começou nos anos 1990, quando a qualidade dos atacantes passou a compensar a dificuldade de sair jogando desde a defesa.

Três eliminações recentes ilustram o argumento. Em 2014, Khedira e Klose bloqueavam o passe dos zagueiros alemães e deixavam David Luiz sem saída além do lançamento longo. Em 2018, sem Renato Augusto, apontado como o mais próximo de um meio-campista completo na era Tite, Fellaini e Chadli anularam Coutinho e Paulinho diante da Bélgica. Em 2022, a Croácia montou um bloqueio à frente de Neymar, e Paquetá precisava recuar demais porque Casemiro não dava o passe de qualidade.

Na leitura de Miranda, as imagens reunidas ao longo de dez anos, três Copas e cinco treinadores revelam um problema crônico: o futebol brasileiro deixou de formar controladores capazes de dar ritmo à posse de bola. O colunista cita Danilo, chamado por Ancelotti justamente pela qualidade na saída, como exceção naquele cenário de 2022.

A explicação, segundo a coluna, passa pela formação de base e não tem uma causa única. Uma das teorias apresentadas é que o Brasil foi vítima do próprio sucesso: o brilho de atacantes e meias explosivos a partir dos anos 1990 teria moldado o tipo de talento valorizado nas categorias de base, em detrimento do meio-campista organizador.

Com informações de ge.globo

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