Memphis Depay pede calma após clipe incendiário e acende protesto corintiano
Atacante holandês esclarece que clipe é arte e alerta contra violência antes de protesto no Parque São Jorge

Memphis Depay divulgou nesta segunda-feira (22/08/2026) um videoclipe da música "Don’t Panic" que encerra com o Parque São Jorge, sede do Corinthians, em chamas, gerando forte repercussão nas redes e entre os torcedores. O atacante, que assinou renovação de contrato com o clube na última semana, utilizou a arte como forma de protesto contra o que chama de "inimigos" nos bastidores da diretoria. Em mensagem posterior, pediu que a torcida não interprete o material como incitação à violência, ressaltando que se trata apenas de arte.
O pedido de Memphis surge em meio a uma crise institucional no Timão: a diretoria enfrenta dívida de R$ 21,5 milhões, atrasos de até dois meses nos pagamentos de direitos de imagem e um protesto programado para amanhã no Parque São Jorge. Torcedores, já mobilizados por denúncias de má gestão, exigem a saída de dirigentes que apelidaram de "ratazanas". A renovação de contrato de Memphis, encerrada no início da semana, foi rejeitada oficialmente por questões financeiras, embora o jogador acredite que haja motivações políticas nos bastidores.
No clipe, além da imagem do estádio em chamas, Memphis faz referência direta ao vice‑presidente Armando Mendonça, descrevendo‑o como "inimigo" e insinuando que a diretoria tenta "sujar" seu nome. A letra menciona ainda a “novela da renovação” e traz frases como "não entre em pânico" para reforçar a ideia de que a disputa vai além do campo. O artista holandês, que chegou ao Corinthians em 2024, utiliza o formato musical para lançar críticas veladas ao poder interno do clube.
A estreia de Memphis após a renovação ocorreu na quinta‑feira, quando entrou no segundo tempo da partida contra o Rosario Central, na Neo Química Arena, e cobrou a falta que culminou no gol de Breno Bidon, garantindo a classificação do Corinthians às quartas‑de‑final da Libertadores. O desempenho reforçou a importância do atacante na campanha continental, que agora enfrenta o Estudiantes da Argentina na próxima fase. O sucesso em campo contrasta com a turbulência fora dele, ampliando o risco de um descolamento entre a imagem do jogador e a percepção da torcida.
A reação da torcida pode definir o futuro da relação entre Memphis e a diretoria. Caso o protesto se torne violento, o clube pode sofrer sanções da Conmebol e da Justiça Desportiva, afetando a participação na Libertadores. Por outro lado, um protesto pacífico, como o próprio jogador deseja, pode pressionar a diretoria a renegociar dívidas e rever a política de contratações, especialmente diante da necessidade de manter jogadores de calibre internacional como Depay.
Do ponto de vista mercadológico, o episódio coloca em xeque a estratégia de comunicação do Corinthians, que tem buscado melhorar a imagem após crises financeiras. O clipe pode gerar maior exposição internacional ao clube, mas também arrisca manchar a marca corintiana se associado a imagens de destruição. A diretoria ainda não se pronunciou oficialmente, mas analistas de mercado apontam que a pressão popular pode acelerar decisões sobre pagamento de salários atrasados e renegociação de contratos.
A torcida tem até amanhã para se reunir no Parque São Jorge e manifestar suas reivindicações; a polícia foi acionada para garantir a ordem e evitar confrontos. Enquanto isso, o Corinthians se prepara para o duelo contra o Estudiantes, marcado para 28 de agosto, onde a performance de Memphis será crucial para avançar na Libertadores. Observadores recomendam atenção ao clima nas arquibancadas e à postura da diretoria diante de possíveis sanções disciplinares.
Fonte: ge.globo
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