Novas regras inflacionam finalizações sem aumentar gols no Brasileirão
Recorde de 320 chutes na 24ª rodada evidencia efeito das mudanças, mas a eficiência ainda é a menor da temporada.

A 24ª rodada da Série A, disputada em 25 de agosto de 2026, bateu o recorde histórico de finalizações ao somar 320 conclusões em dez partidas, superando o antigo marco de 301 registrado na 34ª rodada de 2025. O feito ocorreu logo após a implementação de um novo pacote de regras que visa ampliar o tempo de bola em campo, tornando‑se o ponto de partida para avaliar a eficácia da mudança.
O novo conjunto de regras, aprovado pela CBF e testado na Copa do Mundo anterior, entrou em vigor na 23ª rodada e penaliza interrupções prolongadas por atendimentos médicos, cobranças de tiro de meta e laterais. Ao reduzir o tempo morto, a intenção é elevar o ritmo de jogo e, consequentemente, o número de oportunidades de ataque, algo que o Gato Mestre começou a monitorar desde 2013.
Com 320 finalizações, a média da rodada chegou a 25,7 chutes por partida, ultrapassando a marca de 284 na 23ª rodada – a terceira maior da temporada – e de 288 na 13ª rodada, que ocorreu antes da Copa. O recorde anterior de 301, estabelecido na 34ª rodada de 2025, ficou atrás, indicando que a nova normativa está, de fato, gerando mais tentativas de gol.
O clássico baiano foi o grande destaque: 42 finalizações – 15 do Vitória e 27 do Bahia – empurraram a partida para cima, embora o Bahia tenha vencido por 2 a 0. Em termos individuais, Hulk (Fluminense) e Neymar (Santos) lideraram com seis chutes cada, mas apenas Hulk converteu, marcando contra o Remo, enquanto Neymar ficou sem gol na rodada.
A explosão de finalizações não se traduziu em produtividade: foram marcados apenas 25 gols, resultando em um índice de 1 gol a cada 12,8 tentativas, a terceira menor eficiência do campeonato, excluindo gols contra. Em contraste, a terceira rodada apresentou a melhor taxa, com um gol a cada 8,1 conclusões, e a 23ª rodada manteve uma eficiência de 1 gol a cada 8,9 tentativas, a oitava melhor da competição.
Do ponto de vista tático, a pressão por volume parece estar forçando treinadores a adotar estratégias mais agressivas, mas a falta de precisão indica que a qualidade ainda não acompanha a quantidade. Defesas bem postas, goleiros em alta performance e a necessidade de adaptação ao ritmo acelerado explicam a baixa taxa de conversão, sugerindo que o ajuste às novas regras ainda está em curso.
Na tabela, o Cruzeiro se isola na liderança, enquanto Flamengo ocupa a quinta posição e Palmeiras, a sétima. Times que aumentaram seu volume de finalizações, como Bahia, podem usar a estatística a seu favor para escalar posições, mas a escassez de gols impede ganhos mais expressivos, mantendo a disputa por lugares de classificação e vagas em torneios continentais acirrada.
A próxima rodada, a 25ª, traz confrontos decisivos para clubes que buscam consolidar ou melhorar suas posições. Observadores deverão acompanhar se a tendência de chutes continuará ou se os treinadores ajustarão a postura para melhorar a eficiência. O desempenho dos árbitros na aplicação das novas normas também será crucial para determinar se o aumento de tempo de bola realmente se traduzirá em jogos mais ofensivos e, eventualmente, mais gols.
Fonte: ge.globo
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