Prefeito do Rio impõe protocolo da NFL ao Maracanã como final de Copa
Eduardo Cavaliere compara a operação do NFL Rio Game 2026 ao padrão de segurança de uma final mundial.

No domingo, 27 de setembro de 2026, o Maracanã receberá o primeiro jogo da NFL no Brasil – Baltimore Ravens contra Dallas Cowboys – sob um protocolo que o prefeito Eduardo Cavaliere descreveu como "igual a uma final de Copa do Mundo".
A iniciativa surge num momento em que a NFL busca consolidar sua presença na América Latina, tendo realizado shows de pré-temporada em São Paulo e Cidade do México nos últimos anos. O Rio, ainda sem experiência em partidas de futebol americano, vê no evento uma oportunidade de projetar a cidade como palco de grandes eventos internacionais, reforçando a estratégia de diversificação de seu calendário esportivo.
A operação, detalhada em coletiva na segunda-feira, prevê bloqueio total das vias ao redor do estádio a partir das 11h, 360 policiais militares, 35 viaturas, 215 policiais civis ao longo da semana e 271 guardas municipais no dia. O transporte público será reforçado com 15 trens extras na ida e 22 no retorno, enquanto o MetrôRio funcionará das 7h às 23h, orientando torcedores a usar estações específicas conforme o portão do ingresso.
Um dos pontos mais controversos – e inéditos – é a política de bolsas: Luis Martinez, representante da NFL, exigiu que apenas bolsas transparentes sejam admitidas, eliminando qualquer risco de objetos proibidos. A medida, que ecoa restrições de segurança vistas em estádios europeus, pode gerar desconforto entre torcedores acostumados a regras mais flexíveis no Brasil.
Cavaliere reforçou que a NFL assumirá a administração total do estádio durante o evento, equiparando a responsabilidade ao que a FIFA ou a CONMEBOL fazem em finais de Copa ou Libertadores. Essa centralização implica que todas as decisões de entrada, saída e controle de público seguirão normas internacionais, reduzindo a margem para “jeitinho” ou adaptações locais.
Do ponto de vista financeiro, o Rio deve arrecadar receita significativa com taxas de licenciamento, turismo e consumo nos bairros de Botafogo, Copacabana e Ipanema, onde a NFL instalará ativações como balão voador e esculturas de areia. Contudo, o custo da segurança – estimado em dezenas de milhões de reais – e a necessidade de proteger o gramado, que receberá um tour da taça da NFL antes da partida, levantam dúvidas sobre a viabilidade de repetir o formato em 2027.
Com a partida marcada para o início da temporada regular da NFL, o próximo passo da cidade será avaliar o impacto nas próximas semanas: a liberação das vias duas horas após o término, a resposta do público à exigência das bolsas transparentes e a condição do gramado para o jogo do Flamengo que segue no calendário do Maracanã. O desempenho logístico será decisivo para futuros acordos com ligas internacionais.
Fonte: ge.globo
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