Lula faz Pix de R$1.013 para torcida do Corinthians e reacende debate sobre clubismo nas urnas
Como a preferência por clubes pode influenciar a escolha dos eleitores e gerar questionamentos éticos.

Em janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula (PT) transferiu R$ 1.013 via Pix para uma torcida uniformizada que buscava aliviar a dívida da arena do Corinthians em Itaquera, provocando imediato questionamento sobre a interferência do clubismo nas eleições presidenciais.
Lula, declarado corintiano, já havia manifestado carinho pelo Vasco da Gama, segundo declarações públicas, enquanto a disputa presidencial se intensifica: Datafolha aponta Lula com 39 % e Flávio Bolsonaro com 36 % nas primeiras simulações, num cenário marcado por crise no STF e polarização entre petistas e bolsonaristas.
Outros candidatos também revelaram suas preferências: Augusto Cury (Avante) torce para o Santos de Pelé, Ronaldo Caiado (PSD) para o Flamengo, Renan Santos (Missão) para o São Paulo, Romeu Zema (Novo) para o Atlético‑MG, e Jair Bolsonaro, presidente em exercício, alterna entre Palmeiras, Botafogo e dezenas de camisas de clubes como Flamengo, Fluminense e Grêmio, numa estratégia de ampliar apelo popular.
A doação de Lula, embora simbólica, levanta suspeitas de favorecimento: ao destinar recursos a um único torcedor, ele cria um precedente que, se replicado, poderia gerar desequilíbrio entre os mais de 1.200 clubes registrados no país, ainda que não haja tipificação legal de crime.
O clubismo tem potencial mobilizador no Brasil, onde a identificação com um time costuma se traduzir em apoio político; candidatos ligados a clubes de massa, como o Flamengo, podem explorar essa afinidade para angariar votos, ao passo que afastar torcedores de rivais pode gerar resistência e reduzir a base eleitoral.
Do ponto de vista financeiro, a prática de políticos financiando iniciativas de torcidas pode abrir brechas para o uso de recursos públicos em campanhas, exigindo maior transparência e possível revisão das normas de financiamento eleitoral para evitar a troca de favores entre Estado e clubes.
Com as próximas pesquisas do Datafolha e o calendário de debates presidenciais se aproximando, a atenção da Justiça Eleitoral deverá se concentrar em eventuais irregularidades, enquanto analistas acompanham se o gesto de Lula influenciará a decisão dos eleitores que também são torcedores fervorosos.
Fonte: Folha Esporte
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.






