Corinthians proíbe manifestações políticas em contratos de atletas
Presidente Osmar Stabile institui cláusula que impede jogadores de se posicionar sobre a política do clube.

Em entrevista à ESPN, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, revelou que todos os novos contratos de atletas trazem uma cláusula que proíbe manifestações políticas relacionadas ao clube, justificando que “todo atleta é contratado para jogar futebol”. A medida, anunciada em 28 de agosto de 2026, levanta dúvidas sobre liberdade de expressão e pode redefinir a relação entre o Timão e seu elenco.
Stabile assumiu a presidência interinamente em maio de 2025 e foi efetivado em agosto, após o impeachment de Augusto Melo, que havia contado com apoio público de jogadores em nota divulgada no fim de 2024. O Timão, campeão da Copa do Brasil em 2025, segue na fase de grupos da Libertadores 2026, mas enfrenta um clima interno tenso que motivou a mudança contratual.
A cláusula foi citada explicitamente no contrato renovado de Memphis Depay, atacante holandês que, depois da conquista da Copa do Brasil, criticou dirigentes em rede social e divulgou um vídeo musical mostrando o Parque São Jorge em chamas. A diretoria multou o jogador, afirmando que o ato violou o novo termo, e Stabile reiterou que “existe essa cláusula, está bem claro no contrato dele e dos demais jogadores”.
O episódio de Depay segue um histórico de engajamento político de jogadores brasileiros, como a nota de 2024 em que parte do elenco apoiou a saída de Augusto Melo. Embora clubes como Flamengo e Palmeiras tenham tolerado posicionamentos individuais sobre questões nacionais, raramente se inseriu restrição explícita nos contratos, tornando a iniciativa corinthiana inédita no cenário nacional.
Do ponto de vista tático, a diretoria argumenta que afastar debates internos preserva o foco em campo, sobretudo em competições como a Libertadores. Contudo, a medida pode gerar atritos trabalhistas, já que a CLT permite liberdade de expressão fora do horário de trabalho, e abre espaço para possíveis contestações judiciais que impactariam o orçamento e a imagem do clube perante patrocinadores que valorizam posicionamentos sociais.
A reação dos torcedores tem sido dividida: nas redes sociais, parte da Fiel clama por disciplina e resultados, enquanto outros denunciam censura e pedem respeito à voz dos atletas. O vice‑presidente do Corinthians, citado em entrevista, reforçou que “cargos precisam ser respeitados”, mas não descartou que a política interna do clube ainda será objeto de debate nos próximos meses.
Corinthians encara a próxima rodada da Libertadores contra o River Plate em 2 de setembro, partida que será observada de perto para verificar se a restrição está sendo aplicada de forma efetiva. O que se espera nos próximos dias são eventuais recursos de jogadores, possíveis ajustes contratuais e, sobretudo, a forma como a política de silêncio influenciará o desempenho e a harmonia no vestiário.
Fonte: ge.globo
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