Richarlison aciona cláusula da FIFA para rescindir contrato com Tottenham
Atacante brasileiro usa regra de justa causa esportiva para tentar deixar o clube londrino antes do fim da temporada.

Richarlison recorre ao artigo 15 do regulamento da FIFA para tentar rescindir seu contrato com o Tottenham, após ser excluído da lista de 25 jogadores da Premier League e passar a treinar separado do grupo principal. A medida, divulgada pelo The Times, coloca em risco a permanência do atacante brasileiro em Londres até o final da temporada. O caso ganha destaque porque pode abrir precedentes sobre a aplicação da chamada “justa causa esportiva”.
O atacante chegou ao Tottenham em 2022, vindo do Everton por £60 milhões (cerca de R$ 415 milhões), e assinou contrato que se encerra no verão de 2027, com opção de extensão nas mãos do clube. Na campanha 2025‑26, o técnico Roberto De Zerbi deixou Richarlison fora da lista de 25 para a Premier League e o relegou a treinos isolados, sinalizando que o jogador não faz parte dos planos imediatos. O próprio De Zerbi confirmou que Richarlison manifestou, já na pré‑temporada, o desejo de deixar o clube, afirmando: “Ele falou comigo no início da pré‑temporada e me disse que sua ideia e seu desejo eram sair”.
O artigo 15 da FIFA estabelece que um atleta pode rescindir o contrato por justa causa esportiva se participar de menos de 10 % das partidas oficiais da temporada. Richarlison começou apenas uma das quatro primeiras partidas da Premier League, o que equivale a 25 % de possíveis minutos, mas ainda não se sabe quantas partidas ele disputou até o momento da análise. Advogados do atacante avaliam se o número de minutos efetivos – ainda inferior a 10 % das 38 rodadas – cumpre o requisito para acionar a cláusula, enquanto o Tottenham prepara sua defesa jurídica.
Enquanto os advogados estudam a viabilidade da ação, o mercado demonstra interesse moderado. O Trabzonspor apresentou proposta informal de £20 milhões (R$ 138 milhões), e há relatos de negociação envolvendo o Everton, que avaliaria o jogador em £35 milhões (R$ 242 milhões) em troca de parte de seus direitos. O Vasco da Gama também manifestou interesse, mas o Tottenham ainda não recebeu oferta considerada aceitável para uma transferência definitiva. Richarlison chegou a recusar um retorno ao Everton antes do fechamento da janela da Premier League, reforçando sua intenção de buscar novo destino.
Do ponto de vista tático, a saída de Richarlison deixaria o Tottenham com menos opções no ataque, mas o clube já conta com jogadores como Harry Kane, Heung‑Min Son e novos reforços que podem suprir a lacuna. Financeiramente, a rescisão por justa causa evitaria ao Tottenham o pagamento de indenização, mas também significaria a perda de um salário elevado – cerca de £120 milhares por semana – e a impossibilidade de amortizar o investimento de £60 milhões. A decisão pode ainda influenciar a estratégia de renovação de elenco de De Zerbi, que busca equilibrar custos e qualidade para a disputa da Champions League.
Para Richarlison, a ruptura pode significar um retorno ao Brasil, onde o Vasco oferece a perspectiva de protagonismo e reaproximação com a Seleção, ainda que o atacante esteja fora da lista de convocados para as próximas partidas. Um contrato rescindido também liberaria o jogador para negociar livremente, potencialmente elevando seu valor de mercado se conseguir um clube que ofereça minutos regulares. Contudo, a falta de um comprador imediato pode deixar o atleta em situação de inatividade, o que prejudicaria sua forma física e a visibilidade perante a comissão técnica da Seleção.
Os advogados devem apresentar o pedido de rescisão antes do encerramento da janela de transferências, prevista para o final de setembro, e o Tottenham tem até 30 dias para contestar a alegação. Enquanto isso, o próximo confronto do Tottenham – contra o Brentford, em 14 de setembro – será o último teste de campo em que Richarlison poderá ser convocado, caso a disputa judicial ainda não tenha sido resolvida. Torcedores e analistas deverão observar os desdobramentos jurídicos e as possíveis propostas de clubes sul‑americanos, que podem definir o futuro do atacante antes da pausa de inverno.
Fonte: ge.globo
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