São Paulo revela fragilidades táticas além da arbitragem
Derrota recente expõe limitações estruturais que vão muito além de decisões de pênaltis.

No último domingo, o São Paulo foi derrotado por 2 a 0 diante do Internacional, e a falta de equilíbrio defensivo acabou ofuscando as discussões sobre possíveis erros de arbitragem. A partida, válida pela 14ª rodada do Brasileirão, deixou o Tricolor com 28 pontos, ocupando a 12ª posição e a uma distância considerável da zona de classificação para a Libertadores. O resultado evidencia que o problema do clube está na própria estrutura de jogo, e não apenas nas decisões do árbitro.
Desde a saída de Rogério Ceni, em julho de 2023, o São Paulo tem vivido um período de instabilidade técnica. Dorival Júnior assumiu o comando em setembro de 2023, mas ainda não conseguiu impor um estilo de jogo consistente. Até a presente rodada, a equipe soma cinco vitórias, quatro empates e seis derrotas, com um saldo de gols de -4, número que reflete a fragilidade defensiva que vem se repetindo nas últimas partidas.
A partida contra o Inter trouxe à tona duas questões cruciais: a falta de organização no bloco defensivo e a incapacidade de criar oportunidades claras no ataque. Enquanto Rodrigo Nestor e Arboleda foram superados pelos movimentos de D'Alessandro, o meio‑campo de Gabriel Neves não conseguiu dar sustentação ao setor ofensivo, que depende excessivamente de Jonathan Calleri para balançar as redes. A ausência de um plano de transição rápido permitiu que o Colorado controlasse o ritmo do jogo por boa parte da partida.
Do ponto de vista tático, Dorival Júnior ainda não definiu se o São Paulo deve operar em um 4‑3‑3 mais ofensivo ou em um 4‑2‑3‑1 mais equilibrado. A indecisão tem gerado confusão entre os jogadores, que alternam entre funções de marcação alta e recuo defensivo sem clareza. Essa falta de identidade tática se traduz em erros de posicionamento que, em jogos apertados, custam pontos preciosos.
Financeiramente, o Tricolor ainda lida com o pagamento de salários atrasados e a necessidade de renegociar contratos de jogadores como Pablo e Luciano. A pressão econômica limita a margem de investimento em contratações que poderiam suprir as lacunas defensivas e de criatividade. Enquanto isso, a torcida, que tem exigido mais transparência da diretoria, vê o clube se afastar da disputa por vagas na Libertadores.
A consequência imediata da derrota é a perda de impulso para a sequência de jogos decisivos. O próximo compromisso do São Paulo será contra o Palmeiras, no clássico de domingo, 23 de setembro de 2024, na arena Allianz Parque. Uma vitória contra o rival poderia restaurar a confiança da equipe e abrir espaço para a consolidação de um plano tático mais claro.
Para reverter a situação, Dorival Júnior precisará definir um esquema de jogo que aproveite a velocidade de Calleri e a visão de Gabriel Neves, ao mesmo tempo em que reforça a disciplina defensiva. Observadores apontam que a contratação de um zagueiro experiente, capaz de liderar a linha de fundo, pode ser o ponto de virada. O que se espera agora é uma resposta rápida da diretoria e um ajuste tático que permita ao São Paulo voltar a competir nos primeiros lugares da tabela.
Fonte: ge.globo
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