Torcida do São Paulo silencia campo para cobrar postura de Dorival
Organizadas permanecem em silêncio nos primeiros 15 minutos contra o Inter, apontando falhas na gestão da pressão pós‑Boca Juniors.

A Torcida Independente do São Paulo comandou um silêncio de 15 minutos na partida contra o Internacional, na 28ª rodada do Brasileirão, para denunciar a postura do técnico Dorival Júnior após a eliminação na Sul‑Americana. O gesto, que começou exatamente aos 00:00 do jogo, trouxe à tona a tensão entre a diretoria e a torcida organizada, que se sente desrespeitada pelas declarações do treinador sobre o nervosismo da equipe.
O confronto, realizado no Morumbi em 19 de setembro de 2026, foi o primeiro teste do Tricolor após a derrota por 2 a 0 para o Boca Juniors nas quartas‑de‑final da Copa Sul‑Americana, partida disputada também no Morumbi. A eliminação, que ocorreu na terça‑feira anterior, deixou o clube sem um título internacional e aumentou a pressão sobre Dorival Júnior, que já enfrentava críticas pela falta de consistência na liga.
Organizadas uniformizadas permaneceram sentadas e em silêncio, exibindo a faixa “Silêncio, estamos jogando” como forma de ironia e protesto. A ação foi coordenada por Henrique, conhecido como “Baby”, um dos líderes da Torcida Independente, que avisou nas redes sociais que o silêncio não seria para assustar os atletas, mas para chamar a atenção da diretoria. As demais torcidas aderiram rapidamente, reforçando a mensagem de insatisfação coletiva.
Aos 14 minutos, Calleri converteu um pênalti e abriu o placar, mas a comemoração das organizadas foi mínima, mantendo o silêncio enquanto Rafael defendia o gol adversário. Apenas após o término dos 15 minutos o canto e o apoio ao time foram retomados, demonstrando que a manifestação não pretendia desmotivar os jogadores, mas pressionar a gestão a rever a postura de Dorival.
Dorival Júnior, em coletiva de imprensa logo após a derrota para o Boca Juniors, admitiu que o nervosismo excessivo comprometeu o rendimento da equipe, afirmando que “tivemos que ter mais tranquilidade, colocar a bola no chão”. Suas palavras foram interpretadas pelas organizadas como uma justificativa que minimizava a responsabilidade da comissão técnica, gerando o protesto silencioso como resposta direta ao discurso do treinador.
O episódio evidencia uma fissura crescente entre a diretoria, o técnico e a torcida, que pode influenciar decisões futuras sobre a permanência de Dorival Júnior e a política de contratação. A pressão psicológica sobre o elenco, já marcada pela eliminação continental, pode afetar o desempenho nas próximas rodadas, enquanto a diretoria precisa equilibrar a necessidade de resultados imediatos com a manutenção da confiança da base torcedora.
O São Paulo tem dois compromissos decisivos nas próximas semanas: o jogo contra o Santos, retomado para 2 de outubro, e o confronto com o Cruzeiro, marcado para 7 de outubro, no Mineirão. Observadores deverão acompanhar se o silêncio será repetido ou se a torcida retomará o apoio tradicional, sinalizando a evolução da relação entre clube e organizadas.
Fonte: Gazeta Esportiva
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