Tottenham gasta R$ 2,2 bi e não marca gols nas quatro primeiras rodadas
Investimento recorde não impede a seca histórica que coloca o clube na zona de risco da Premier League.

O Tottenham Hotspur, que desembolsou cerca de 320 milhões de libras (R$ 2,2 bilhões) na última janela, chegou à 17ª posição da Premier League sem registrar nenhum gol nas quatro primeiras rodadas – um recorde negativo desde a criação da competição em 1992.
A contratação de oito reforços – os pontas Savinho, Marmoush e Mudryk, o lateral‑esquerdo Robertson, os zagueiros Van Hecke, Adarabioyo e Senesi, os meio‑campistas Tonali e Mateus Fernandes, além do goleiro reserva Dúbravka – tinha como objetivo transformar a equipe de Londres em concorrente do "Big Six". Mesmo com oito atacantes no plantel, o brasileiro Richarlison não foi inscrito na Premier League após recusar um contrato longo, o que reduz ainda mais as opções ofensivas.
Nos quatro jogos disputados, o Tottenham empatou duas vezes e perdeu duas, sofrendo cinco gols e acumulando 51 finalizações sem encontrar o fundo da rede. O empate sem gols contra o Everton, em casa, foi marcado por um cartaz de torcedora que pedia: "Por favor, faça um gol!". Fora da liga, o clube venceu o Charlton Athletic por 5 a 1 na Copa da Liga, mas o desempenho na competição principal permanece alarmante.
Historicamente, o clube terminou a temporada anterior em 17º, a primeira vez fora da zona de descenso nas duas últimas campanhas, e chegou a 17º novamente em 2024‑25. Essa sequência de resultados medianos contrasta com o investimento de quase R$ 12 bi pelos seis maiores clubes da Inglaterra na mesma janela, reforçando a percepção de que o Tottenham está aquém das ambições de um clube "Big Six".
De Zerbi, que levou quase uma hora para responder à imprensa após o empate com o Everton, atribuiu a falta de gols à baixa confiança da equipe e insinuou que, na Itália, seria elogiado por duas partidas sem sofrer gols. "As pessoas, os torcedores, já sabem distinguir se estou dando desculpas ou não. Na Itália, com dois jogos sem sofrer gols, eu seria considerado o melhor treinador", declarou o técnico, deixando claro que o problema não é apenas defensivo, mas também ofensivo.
O descompasso entre o gasto de R$ 2,2 bi e a produção em campo coloca pressão sobre a diretoria de Daniel Levy, que já enfrentou críticas por decisões de mercado nos últimos anos. A ausência de Richarlison no registro da Premier League e a necessidade de integrar rapidamente oito novos jogadores aumentam a complexidade da tarefa de De Zerbi, que ainda não encontrou a combinação ideal entre velocidade, criatividade e finalização.
O próximo desafio será contra o Aston Villa, no sábado, seguido por um confronto contra o Liverpool na terça‑feira, pela terceira fase da Copa da Liga. Observadores apontam que a definição de um centroavante titular e ajustes táticos nas transições ofensivas serão decisivos para romper a seca e evitar que o Tottenham deslize ainda mais na tabela.
Fonte: ge.globo
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