Verón pressiona modelo privado no Estudiantes antes da Libertadores
Presidente defende investimento privado e a criação de SADs enquanto o clube se prepara para enfrentar o Corinthians nas quartas de final.

Juan Sebastián Verón, presidente do Estudiantes de La Plata, voltou a ser a voz mais alta do debate sobre a entrada de capital privado no futebol argentino, exatamente quando o clube se prepara para enfrentar o Corinthians nas quartas de final da Libertadores. A postura do ídolo, que lidera a campanha contra o modelo associativo tradicional, ganha força ao declarar que o futebol argentino está "esgotado" e precisa de novas fontes de receita. O discurso chega em meio a um confronto direto com um dos gigantes sul‑americanos, tornando a partida um teste de legitimidade para sua proposta.
Fundado em 1905, o Estudiantes tem vivido uma fase de renascimento nos últimos anos, conquistando a Copa da Liga e o Troféu de Campeões em 2024, o Torneio Clausura e outro Troféu de Campeões em 2025, além da Copa Argentina de 2023. Quando Verón assumiu a presidência em 2014, o clube enfrentava sérias dificuldades financeiras e ainda não havia concluído a reconstrução do estádio Jorge Luis Hirschi, obra iniciada em 2005 e finalizada em novembro de 2019. Desde então, o clube registrou superávits consecutivos e passou a utilizar sua arena moderna como símbolo de uma gestão mais profissional.
A proposta de Verón vai além da reforma de um estádio: ele defende a transformação dos clubes em Sociedades Anônimas Desportivas (SAD), modelo já adotado em vários países europeus. O decreto editado pelo presidente Javier Milei em 2024 abriu caminho legal para essa mudança, mas a Associação do Futebol Argentino (AFA) e os tradicionais gigantes Boca Juniors e River Plate mantêm forte oposição, temendo a perda da identidade associativa. Em entrevista ao La Nacion, Verón afirmou: "Queremos crescer, e o sistema do futebol argentino está esgotado. As receitas de transmissão diminuem, os patrocínios escasseiam e os prêmios são baixos".
Em 2023, o empresário norte‑americano Foster Gillett apareceu como potencial investidor do Estudiantes, anunciando um aporte de US$ 150 milhões que poderia colocar o clube ao nível de Boca e River. Na prática, apenas US$ 15 milhões foram usados para pagar a multa rescisória de Cristian Medina ao Botafogo, e um empréstimo de US$ 9,7 milhões foi registrado, mas o investimento total nunca saiu do papel. O revés financeiro reforçou a mensagem de Verón de que o capital privado pode chegar sem transformar o clube em SAD, embora a falta de recursos ainda limite a capacidade de contratações de alto nível.
Do ponto de vista tático, o Estudiantes chega ao duelo com um elenco que combina a tradição defensiva de La Plata com reforços pontuais financiados pelos modestos recursos disponíveis. A modernização do Hirschi trouxe melhores condições de treinamento e geração de receita em dias de jogo, o que pode melhorar a preparação física da equipe. Contudo, a ausência de um grande investimento impede a contratação de jogadores de calibre internacional, deixando o time vulnerável frente ao ataque versátil do Corinthians, que conta com laterais rápidos e um meio‑campo criativo.
Para a torcida corintiana, a partida representa uma oportunidade de avançar na competição contra um adversário que, apesar das limitações, tem demonstrado consistência nas competições domésticas. Já os torcedores do Estudiantes encaram o confronto como prova de que o modelo proposto por Verón pode gerar resultados concretos sem depender de grandes patrocinadores. O clima no estádio Jorge Luis Hirschi, recém‑inaugurado, deve ser intenso, e a performance dos jogadores será analisada como indicador da viabilidade da estratégia de capital privado.
O jogo está marcado para quarta‑feira, 09/09/2026, às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Jorge Luis Hirschi, com transmissão ao vivo pela Globo e Ge TV. Após o apito final, Verón pretende usar o resultado para reforçar sua campanha junto ao legislativo argentino, buscando mais apoio para a criação de SADs. Torcedores e analistas deverão observar não só o placar, mas também a capacidade do Estudiantes de transformar a modernização de sua arena e a gestão financeira em vantagem competitiva na Libertadores.
Fonte: ge.globo
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